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20 April 2021

'A eleição se tornou um negócio muito caro', avalia presidente da Perseu Abramo

'A eleição se tornou um negócio muito caro', avalia presidente da Perseu Abramo

Foto: Júlia Belas/Bahia Notícias

 
Em visita a Salvador nesta segunda-feira (19), o economista Márcio Pocchmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, fundada pelo PT para a elaboração das diretrizes ideológicas do partido, falou ao Bahia Notícias sobre os aspectos mais polêmicos da política econômica da gestão petista. Em relação à inflação, que tem oscilado em torno do teto da meta, de 6,5%, e por isso virou alvo de crítica da oposição ao governo Dilma Rousseff, Pocchmann não vê descontrole e sim o resultado de uma opção.  “A interpretação dentro do governo é de que é possível manter a inflação abaixo da meta e até puxá-la para o centro a partir de políticas gradualistas, não políticas recessivas, que interrompessem um quadro socioeconômico razoável que nós temos no Brasil, especialmente quando comparamos nos outros países”, argumenta, ao acreditar que medidas contracionistas poderiam levar ao aumento do desemprego e da pobreza.  

Ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no qual atuou entre 2007 e 2012, o pesquisador afirma que a inflação “voltou a se transformar em um tema político” e reconhece que o desempenho econômico pode pesar nos resultados das eleições deste ano. “Esse eu acho que é um elemento importante. Em 2002, de maneira geral, a percepção era de que a população gostaria de mudanças, de outras experiências. Essa eleição também aponta para a ideia de mudanças, mas não no sentido da alteração do curso do que está sendo feito, mas que aprofundem o que está sendo feito”, avalia Pocchman. “Para fazer mudanças que aprofundem o que está sendo feito no Brasil, é preciso ter essa maioria que apoie e é necessário um desempenho econômico razoável. E vem sendo razoável, porque apesar do dinamismo da economia estar em torno de 2%, o emprego está crescendo com bastante efeito, especialmente na base da pirâmide social; na questão da inflação nós tivemos um problema de preços dos alimentos, que tem impacto na base da pirâmide, mas a inflação que temos é uma inflação mais de serviços, que afeta um pouco mais a classe média e os ricos”, cita.  

Em fevereiro deste ano, o economista afirmou que as eleições de 2014 oferecem as últimas possibilidades de “candidaturas populares” para o Congresso Nacional. “Não é em relação à figura do parlamentar, se é empresário ou agricultor; não entrei no mérito do mandato propriamente dito. A preocupação que tenho é em relação ao que fundamenta o processo eleitoral”, explica,  para mencionar as “reformas clássicas do capitalismo” que ainda não foram feitas no Brasil, como a agrária (de forma efetiva) e tributária, além de uma social recente. “Nós temos um país muito desigual no sentido do poder econômico e do poder político. Então vejo que o embate eleitoral hoje está cada vez mais pressionado pelo poder econômico. Isso independe de partidos, de ideologias ou coisas desse tipo. Na verdade, os partidos têm o monopólio da representação, são eles que organizam a eleição, mas quem viabiliza os vitoriosos é cada vez mais o poder econômico, pelo financiamento de campanha”, argumenta Pocchmann, ao considerar que “a eleição se tornou um negócio muito caro”.

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