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12 April 2021
Foto: Rpeordução

“A periferia precisa ser mais atendida pela prefeitura”, diz Suíca

Vereador em primeiro mandato na Câmara de Salvador, Luís Carlos Suíca (PT) avalia a atual legislatura do parlamento como positiva, sobretudo por causa de “projetos importantes” aprovados em benefício da sociedade. Ele diz que “o maior acerto” do prefeito ACM Neto foi perceber o que não foi feito nos oito anos de gestão de João Henrique, mas reclama da “falta de diálogo com a população”, e pondera que muito ainda precisa ser feito na capital baiana, sobretudo nas áreas educação e saúde.

Suíca prevê dificuldade generalizada para a classe política neste ano devido à crise instalada por causa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e alerta: “A Constituição não foi plenamente respeitada. Isso significa que eles estavam aprovando o impeachment para se proteger. Logicamente, as pessoas estão contrariadas. Haverá um impacto naqueles que se comprometeram com as coisas e não cumpriram. Esses sofrerão as críticas do povo”. Leia a íntegra abaixo.

Tribuna da Bahia – Como o senhor avalia a atual legislatura da Câmara de Salvador?
Luís Carlos Suíca –
Essa é a minha primeira legislatura, e é um privilégio poder participar dela. É uma legislatura em que tivemos algumas figuras notáveis da política, como Waldir Pires e Edvaldo Brito, e outras figuras com quem compartilhei diversos projetos e debates. Temos hoje uma Câmara atuante, que debateu diversos projetos importantes para a cidade. Os vereadores apresentaram projetos relevantes para a cidade. A atuação da Câmara nessa legislatura foi muito boa. Eu não estava aqui nas outras legislaturas, mas houve muitas críticas das pessoas. Nessa legislatura os vereadores estão de parabéns por terem feito vários debates.

Tribuna – E seu próprio mandato? O que podemos destacar do seu trabalho?
Suíca – 
Como marinheiro de primeira viagem, aprendi o caminho das pedras na Câmara. Isso é fruto dos movimentos sociais e sindicais dos quais participo. Aprendi muito rápido a me movimentar no Legislativo. Não é fácil lidar com diversas cabeças e diversos pensamentos e crenças também. Avalio que tratei todos com muito respeito. Virei líder da oposição no primeiro mandato. Isso é muito importante para meu currículo, liderar figuras como Waldir Pires e outros vereadores de renome. E prestar contas à população das nossas metas. Não saí das ruas, não saí dos bairros. Apresentei projetos para nossa categoria, os terceirizados. Apresentei a lei anti- calote, pela qual nós ampliamos os direitos dos trabalhadores. Nosso mandato serviu muito aos trabalhadores terceirizados. Esses trabalhadores vinham de um sofrimento muito grande no governo de João Henrique. Por oito anos, todos os meses o sindicato teve que fazer greve para que os servidores recebessem seus salários. Foi um empenho do sindicato e do nosso mandato fazer com que a prefeitura e as empresas mudassem seu comportamento. Os trabalhadores terceirizados não passam mais por esse problema hoje. Avançamos na questão da limpeza urbana. Estamos ainda no processo de concessão pública. Apresentamos alguns projetos também na área de deficientes, na área de mobilidade. Servimos muito à cidade e aos trabalhadores.

Tribuna – Como o senhor avalia o governo do prefeito ACM Neto?
Suíca – 
O prefeito ACM Neto pegou uma cidade completamente destruída. No governo de João Henrique, as pessoas reclamavam muito. ACM Neto fez em quatro anos o que não foi feito durante oito anos. É preciso ter coragem para falar isso. Precisa-se fazer mais. Tem a questão da educação infantil, que precisa avançar mais. A questão da saúde precisa avançar mais. Precisa dialogar mais com os movimentos sociais. A avaliação que eu faço é de que a periferia precisa ser mais atendida pela prefeitura. A gente precisa pensar numa cidade igual. Lógico que não existe igualdade como um todo. Mas é preciso inverter as prioridades do ponto de vista das pessoas que mais precisam. Não podemos ver chover pouco e a cidade ficar alagada. É preciso pensar de que forma amenizar o sofrimento dessas pessoas. Em relação ao governo passado, há uma grande diferença. Agora é preciso pensar como fazer mais.

Tribuna – Diante de tantos problemas, o que deve ser colocado como prioridade pelo próximo prefeito?
Suíca –
Avançar na questão da educação infantil. A educação é a porta de entrada para uma cidade melhor. A escola precisa ser fascinante, principalmente para a criança carente, que tem ao seu lado o que é mais fácil. Quando você torna a escola fascinante para uma criança, tudo vai ser melhor para ela no futuro. Ela vai cuidar melhor do lixo, do transporte, da saúde. Porque a educação é a porta de entrada. Apresentamos um projeto para colocar na grade curricular questões de meio ambiente e cidadania. Você educa a criança. Você não educa adulto. No adulto você aplica a sanção. É preciso priorizar a educação, tornar a escola fascinante para as crianças. Lógico que não vai dar para fazer isso com todo mundo, porque estudar é um querer, é uma relação que você tem que desenvolver logo cedo. A educação e saúde precisam estar pautadas para aqueles que mais precisam. Quem tem condição, paga. Quem não tem, precisa das escolas públicas.

Tribuna – Qual o principal erro e o principal acerto do prefeito ACM Neto?
Suíca – 
Faltou um pouco mais de diálogo. Foi-se fazendo muita coisa sem dialogar com a sociedade. Diante do que as ruas estão dizendo, esse comportamento tem que mudar. É preciso ouvir mais as pessoas, fazer mais debates. A crise política mostrou isso. As ruas mostraram isso. O grande acerto do prefeito foi ver as falhas do governo passado e tentar resolvê-las. Com isso ele ganhou uma grande popularidade.

Tribuna – Com as mudanças na legislação eleitoral, como está sendo sua campanha, sobretudo no quesito arrecadação?
Suíca –
 Estamos contando com os amigos. A arrecadação é com os amigos e pé no chão, mostrando tudo que nós fizemos nesses quatro anos. Quem nos acompanhou na Câmara sabe que eu não saí um só minuto das ruas. Minha família tem reclamado de que eu não tiro férias. Nesses quatro anos eu priorizei o mandato, eu priorizei o que me comprometi a fazer: prestar conta às pessoas. Esse fruto eu vou colher. Não se planta abacaxi e se colhe manga. Se eu plantei popularidade e bom trabalho, eu vou colher esses frutos agora. Quando você se dispõe a ser um parlamentar com o discurso da coletividade, a rua é sua casa. A voz do povo é seu oxigênio.

Tribuna – A crise pela qual passa o país está tendo reflexo nas eleições em Salvador e na Bahia?
Suíca – 
Para todo mundo. Ninguém pense que a crise política só vai atingir um partido. Ela vai atingir todo mundo. Aqueles que apostaram na derrocada do governo da presidente Dilma não vão ter vida fácil. Não se aprova um impeachment preservando direitos políticos. A Constituição não foi plenamente respeitada. Isso significa que eles estavam aprovando o impeachment para se proteger. Logicamente, as pessoas estão contrariadas. Eles serão cobrados. Eu serei cobrado. Todo mundo vai ser cobrado, de todos os partidos. Haverá um impacto naqueles que se comprometeram com as coisas e não cumpriram. Esses sofrerão as críticas do povo.

Tribuna da Bahia

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