ACM Neto diz que derrota em 2022 trouxe amadurecimento e reforça críticas ao governo Jerônimo: ‘Baianos conhecem os problemas’
O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), reforçou, nesta segunda-feira (20), as críticas ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em entrevista à rádio Bahia FM, o pré-candidato ao Governo da Bahia afirmou que a derrota eleitoral em 2022 serviu como um processo de amadurecimento político, e enfatizou que, atualmente, se sente muito mais preparado para assumir o Palácio de Ondina.
“A derrota ensina. Ela faz a gente encontrar as razões que contribuíram para o resultado, mas também aprender, aperfeiçoar e melhorar. Foi exatamente isso que eu procurei fazer. Corrigi erros que foram cometidos há quatro anos e hoje me sinto ainda mais preparado e capacitado para governar a Bahia”, afirmou Neto.
Neto reforça críticas ao governador e diz que baianos ‘não o conheciam’ em 2022
Neto também ironizou a estratégia governista passada, apontando que, se há quatro anos o atual governador era um “livro com páginas em branco” votado apenas pelo número do partido, em 2026 os baianos já conhecem de perto a realidade e as deficiências da gestão petista.
“Há quatro anos, o atual Jerônimo Rodrigues prometeu muitas coisas aos baianos e não cumpriu. Há quatro anos, ele era um livro com páginas em branco. As pessoas não o conheciam, muitos votaram apenas em um número. Hoje é diferente. Os baianos conhecem Jerônimo Rodrigues, conhecem a realidade do seu governo e sabem dos problemas que a Bahia enfrenta”, declarou.
Segurança, fila de regulação e educação
Questionado sobre as prioridades absolutas de uma eventual transição de governo, ACM Neto elencou três áreas críticas que sintetizam o clamor da população e os maiores desafios do funcionalismo público baiano.
Segurança pública e combate às facções
Apontada pelo pré-candidato como o problema mais urgente do estado, a segurança receberá uma reformulação estrutural por meio da criação da Governadoria de Segurança — um órgão central de comando unificado liderado diretamente pelo chefe do Executivo. A estratégia inclui a compra de viaturas blindadas e semiblandadas, renovação de armamentos e coletes, além de um aumento real no salário dos policiais.
No sistema prisional, classificado por Neto como “universidade do crime”, a meta é cortar a comunicação das facções instalando scanners de alta resolução e monitorando as visitas de advogados aos detentos. O plano de repressão será acompanhado por ações sociais, levando centros de cultura, esportes e qualificação profissional para as periferias e bairros com maiores índices de vulnerabilidade.
Saúde e descentralização médica
O foco central na saúde será a extinção ou redução drástica da fila de regulação, um dos maiores gargalos do SUS na Bahia. A proposta prevê a interiorização do atendimento especializado por meio da construção de novos hospitais regionais, descentralizando a oferta de exames complexos e cirurgias eletivas para evitar que pacientes do interior precisem se deslocar em ambulâncias até a capital.
Educação e juventude
A plataforma educacional será focada na ampliação do ensino técnico e na criação de oportunidades de inserção rápida de jovens no mercado de trabalho regional, reduzindo a evasão escolar por meio do fomento à profissionalização.
Aposta no interior e alianças de peso
O principal pilar de confiança da oposição para reverter o cenário de 2022 reside na reestruturação dos grupos políticos no interior do estado. ACM Neto destacou a recente onda de filiações e alianças com prefeitos de médias e grandes cidades baianas — como Feira de Santana e Barreiras —, projetando um desempenho muito superior nas pequenas localidades. Caso vença o pleito de outubro, o postulante prometeu uma gestão de portas abertas e sem perseguições partidárias, assegurando que governará em parceria institucional com os 417 prefeitos da Bahia para enfrentar as crises que afetam o desenvolvimento econômico e social do estado.
ACM Neto relembrou que, em 2022, obteve uma votação expressiva e quase venceu a disputa majoritária baseando-se no triunfo em apenas 54 municípios. O cenário atual, segundo ele, mostra-se consideravelmente mais favorável devido ao fortalecimento e organização das frentes de oposição nas cidades de pequeno e médio porte.
“Somente na semana passada, tivemos o apoio dos prefeitos de Sítio do Mato, Utinga e Cruz das Almas. Hoje nós temos aliança com os prefeitos das maiores cidades da Bahia. No sábado, estive em Feira de Santana ao lado do prefeito Zé Ronaldo, e na quinta-feira, em Barreiras, ao lado do prefeito Otoniel. Isso demonstra o fortalecimento da nossa caminhada. A minha principal confiança na vitória está exatamente no interior”.
Neto encerrou a sua exposição rechaçando o fantasma da retaliação política contra adversários, adotando um discurso republicano voltado a atrair gestores que atualmente integram a base aliada do PT. O pré-candidato garantiu que o tamanho da crise enfrentada pelo estado exige uma trégua nas disputas partidárias após a abertura das urnas: “Vou governar com os 417 prefeitos da Bahia. Não vou perseguir ninguém, não vou fazer distinção. Os problemas do estado exigem parceria, e as portas do governo estarão abertas para trabalhar com todo mundo”.
