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7 December 2021

ACM Neto e Rui Costa travam batalha eleitoral silenciosa

 

No dia 20 de maio, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), se encontraram na sala do ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi. Ambos levaram na bagagem a preocupação do desastre que a capital baiana tinha vivido há poucos dias, com até então 21 pessoas mortas por conta de deslizamento de terras ou imóveis desabados em áreas de risco. Ambos pediam R$ 500 milhões em recursos para intervenções nas áreas atingidas e ações de prevenção.

O mesmo assunto que uniu os dois principais líderes políticos da Bahia deu início a um movimento político silencioso digno de pré-campanha a um ano e dois meses do pleito. A partir de então, o governador Rui Costa intensificou suas ações em Salvador, principalmente naqueles bairros periféricos, onde a ala petista aponta como carentes de atenção do prefeito ACM Neto. O democrata já vinha cumprindo sua agenda em toda a cidade, visitando obras em andamento, inaugurando as já concluídas e autorizando outras. O mesmo ritmo foi adotado por Rui Costa, que vê o prefeito ostentar o título de melhor do Brasil e despontar como favorito na eleição de 2016, quando poderá tentar a permanência no cargo. Como no PT os nomes prefeituráveis ainda não são convincentes até agora, a estratégia do governo é fortalecer e popularizar o nome de Rui em Salvador, para que o nome da base aliada a ser apoiada por ele tenha uma sustentação e referência de alguém que marcou presença nos becos dos bairros pobres.

No início de julho, o governador entregou a obra de contenção de encostas no bairro do Retiro. No mesmo dia, foi assinada a ordem para iniciar semelhante serviço na Liberdade e Pero Vaz. Cerca de R$ 900 mil envolvem as obras. O governo se apega ao volume de recursos provenientes do governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No total, em toda a cidade, 98 encostas passam por intervenções da Companhia de Desenvolvimento Urbano do (Conder), por meio do Programa de Contenção de Encostas, que atende ainda bairros como Luiz Anselmo, Santa Cruz, Nordeste de Amaralina, Engenho Velho da Federação, Arraial do Retiro, Nova Brasília, São Caetano, Paripe, Águas Claras, Cajazeiras, Vila Canária, Alto da Terezinha e outros.

Em suas comitivas pelo Subúrbio, o governador leva, ninguém mais, ninguém menos que aqueles que já demonstraram interesse em disputar a prefeitura da capital pela base aliada: Sargento Isidório (PSC), Edvaldo Brito (PTB), Lídice da Mata (PSB) e Gilmar Santiago (PT). Aliado a eles, vereadores e deputados aliados engrossam as fileiras e discursam nas comunidades atacando a gestão municipal. Entre as principais críticas está a de que o prefeito ACM Neto investe pesado em bairros nobres, como na orla da Barra, Ondina, Rio Vermelho, e não olha para as comunidades pobres, onde, segundo os oposicionistas do democrata, faltam ações públicas municipais.

O gestor democrata, por sua vez, não fica atrás e tem intensificado suas ações exatamente nas periferias da capital. Neto tem diversas frentes para contra-atacar as investidas petistas. Seu principal carro-chefe é o programa “Gabinete da Prefeitura em Ação”, que transfere a sede administrativa por um dia para uma região da capital, geralmente no entorno de alguma prefeitura-bairro. Já foram contemplados Paripe, Pau da Lima e Cabula, onde foram autorizadas ou entregues obras como escolas, ruas, quadras, praças e realizados diversos serviços. Aliado a isso, Neto aposta no programa Morar Melhor, que tem como meta reformar as casas dos mais pobres da capital. “Esse programa vinha sendo concebido desde o ano passado, com o objetivo de melhorar as casas das famílias mais pobres da nossa cidade.

E vai ser totalmente executado com recursos próprios. No primeiro ano, vamos contemplar 51 bairros, com 16 primeiros prioritários”, detalhou o democrata na época do lançamento. Dias depois, também foi lançado o Salvador Bairro a Bairro, que consiste em realizar mais de mil obras em toda a capital até dezembro de 2016.

A operação de marketing político por trás das ações de Neto e Rui tem sido intensa. Em todas as agendas a céu aberto, ambas as autoridades se mostram carismáticas, posam para fotos constantemente, fazem afagos em um idoso aqui, em uma criança ali, batem bola demonstrando proximidade com a comunidade, Neto joga capoeira entre um evento e outro, Rui come bolo em inauguração de conjunto habitacional sentado à mesa em casa de uma das beneficiadas com o programa, e assim segue o jogo político de olho em 2016 que já foi lançado, mas não foi anunciado.

Fonte tribuna

 

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