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28 October 2021

Aliviados, estudantes da Ufba questionam ‘conquistas’ com o fim da greve dos professores

Entre as reivindicações dos grevistas estavam reajuste salarial de 27,3% e a reestruturação na carreira

A greve dos professores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) chegou ao fim nesta quarta-feira (14). Entre as reivindicações dos grevistas estavam reajuste salarial de 27,3%, a reestruturação na carreira, reversão dos cortes orçamentários, que na Ufba foram reduzidos em 40% dos repasses, a defesa da educação pública e gratuita e a proibição da contratação de professores através de organizações sociais. Como nenhum desses pontos foi atendido pelo governo, muitos alunos questionaram o fim da paralisação, apesar de estarem aliviados pelo retorno das aulas.

“Queria que a greve terminasse, mas acabamos não tendo muitas conquistas em relação à pauta, que se reduziu à questão salarial”, afirmou o estudante Rayan Rybka, aluno do 1º semestre do BI de Saúde.

 “Óbvio que tenho bastante vontade de terminar o semestre e me formar logo. O que foi negociado com o governo está bem longe do que os professores esperavam”, contou Gilson Guedes, aluno do 7º semestre de Direito. Para Victor Aramayo, estudante de Química, o longo tempo sem aulas acabou influenciando os professores a colocar um fim na greve. “A greve voltou mais por uma pressão do tempo do que pelas reivindicações. Nada do que foi solicitado foi alcançado e eles resolveram voltar mesmo assim”, disse.

Os servidores técnico-administrativos da Ufba, que também estavam em greve, retornaram às atividades desde o dia 7, após assinatura de acordo com o governo.

Fim da paralisação

A greve mais longa da história da Universidade Federal da Bahia (Ufba) terminou ontem após mais de quatro meses de paralisação dos professores. Em assembleia realizada na tarde de ontem na Faculdade de Arquitetura, na Federação, a categoria decidiu pôr fim à paralisação com um placar de 129 votos a favor, 30 contras e três abstenções. A paralisação dos 2.236 docentes da universidade deixou cerca de 33 mil estudantes sem aulas, em todos os institutos.

Segundo o pró-reitor de Ensino e Graduação, Penildon Silva Filho, a reitoria se reunirá amanhã com o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) – formado por representantes dos cursos, pró-reitores, servidores e lideranças estudantis – para apresentar a proposta de reorganização do calendário. No que depender da reitoria, as aulas do semestre 2015.1, interrompidas no dia 27 de maio, voltarão já na segunda-feira, mesma data sugerida pelo comando de greve dos professores para o retorno das aulas.

“Nós vamos terminar o semestre 2015.1 e vamos propor ao Consepe iniciar 2015.2 já em 4 de janeiro. Vamos propor iniciar 2016.1 em seguida, provavelmente no final de maio e início de junho, e ao longo de 2016 vamos regularizando o semestre. Pelos nossos cálculos, nós vamos estar regularizados somente em 2017”, disse Penildon. Quando a greve começou, faltavam somente cinco semanas para o fim do primeiro semestre de 2015.

Caso a proposta da reitoria seja aprovada pelo Conselho, as aulas do semestre 2015.1 deverão terminar no dia 9 de dezembro. Ou seja, as férias durarão 26 dias até que seja iniciado o novo semestre, em 4 de janeiro. “Como entre o final de um semestre e início do outro, necessariamente os professores têm que lançar notas, têm as matrículas, vai ter um intervalo entre os semestres. Não será um mês de férias, mas pelo menos de 15 a 20 dias”, completou.

No ano que vem, as aulas também serão interrompidas durante o Carnaval, por conta da dificuldade de acesso aos campi de Ondina e do Canela, mas as aulas retornarão normalmente após os festejos. Ainda segundo o pró-reitor, os cerca de 1.500 alunos que foram aprovados pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para o semestre 2015.2 e que efetuaram a matrícula têm as vagas asseguradas.

Todos os programas de pós-graduação também terão que terminar o semestre 2015.1 e depois abrirão as seleções. O pró-reitor garantiu que haverá novas vagas, como acontece todos os anos, mas cada programa definirá o seu calendário acadêmico.

Decisão unificada

Apesar de nenhum dos cinco pontos da pauta (veja ao lado) reivindicada na paralisação ter sido atendido pelo governo federal, os professores optaram por retornar as atividades seguindo uma orientação do Comando Nacional de Greve.

 “A maioria dos nossos colegas fora da Bahia concluiu que nesse momento a gente não está tendo, infelizmente, forças para mobilizar tanto a universidade quanto a sensibilizar a sociedade, então achamos que esse é o momento de suspender o movimento de greve”, afirmou o professor Diego Marques, integrante do comando grevista da Ufba.

Segundo ele, o movimento continua em atividades como aulas públicas e manifestações. Além do fim da greve, os professores reafirmaram a rejeição à proposta de reajuste salarial dada pelo governo, que ofereceu aumento de 10%, dividido em duas parcelas.

Por: Correio

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