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23 October 2021
Foto: Reprodução

Após decreto de prefeito, médicos pedem demissão em Cruz das Almas

O prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro, decretou na segunda-feira (09) a redução em 20%, a vigorar nestes meses de novembro e dezembro, do seu próprio salário e de todos os secretários e contratados da Administração Municipal, bem como das prestações de serviços celebrados por meio de contratos temporários. A medida não agradou os cerca de 20 médicos da cidade cravada no Recôncavo baiano que, reunidos na noite da última segunda-feira, decidiram, por unanimidade, assinar uma demissão coletiva. A decisão afeta os atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e no Instituto de Pediatria do Recôncavo (IPER), unidades de saúde do município.

Segundo os médicos, outras questões também colaboram para a “revolta” da categoria, como condições precárias de trabalho e falta de medicamentos para pacientes. Mas, o motivo maior para os médicos promoverem uma Ação Civil Pública Coletiva pedindo a nulidade do decreto, foi a redução do salário de R$ 1.400,00 para R$ 1.100,00. “A medida – o decreto – é ilegal. Os médicos não aceitam a redução do salário. Há dois meses foi feito um abaixo assinado pedindo reajuste salarial, que não acontece há três anos. A prefeitura tem cerca de três mil funcionários, cargos comissionados e 15 secretárias, numa cidade com 65 mil habitantes. A redução do salário não atinge só os médicos, mas também enfermeiras, bioquímicos, enfim em torno de 1.400 funcionários da área de saúde”, afirma Francisco Magalhães, presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed).

Segundo publicação no site da prefeitura de Cruz das Almas, as determinações do prefeito visam manter estáveis as finanças do Município, como exige o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). “O discurso do prefeito é de que médico ganha bem, até R$ 40 mil. Para ganhar este dinheiro é preciso que o médico trabalhe 120 horas por semana. A prefeitura acenou com uma proposta, que não será assinada nem pela secretária de Saúde e nem pelo prefeito, mas por um advogado, e isto os médicos não aceitam. A partir de amanhã (hoje) entregam os cargos”, adiantou Francisco Magalhães.

O jornal Tribuna entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Cruz das Almas, que ficou de enviar uma posição da secretária de Saúde do município, Sozemiria de Moura Bispo Gonçalves, sobre a situação dos médicos, mas até o fechamento da edição nenhum comunicado foi enviado.

Por Tribuna da Bahia
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