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17 June 2021

Após denúncia, Cunha acusa o governo de atuar junto com Janot para ‘calar e retaliar’ sua atuação política

Em nota, presidente da Câmara disse estar ‘absolutamente sereno’ e considerou denúncia ‘ridícula’, segundo parlamentares

 

BRASÍLIA – Depois de ler as 85 páginas da denúncia feita pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) divulgou nota à imprensa. No texto, ele acusa o governo de agir junto com Rodrigo Janot, para que ele fosse escolhido como o primeiro da lista a ser denunciado na Operação Lava-Jato. Janot foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para ser reconduzido ao cargo e será sabatinado na próxima semana no Senado.

O presidente da Câmara voltou a dizer que não participou e não participa de nenhum “acordão”, criticou o fato de não haver denúncias contra petistas e membros do governo com foro privilegiado e disse que, depois de ter sido escolhido para ser investigado, agora foi escolhido para ser denunciado, “figurando como o primeiro da lista”.

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“Não participei e não participo de qualquer acordão e certamente, com o desenrolar, assistiremos a comprovação da atuação do governo, que já propôs a recondução do procurador, na tentativa de calar e retaliar minha atuação”, disse Cunha na nota. “Respeito o Ministério Público Federal, como a todas as instituições, mas não se pode confundir trabalho sério com trabalho de exceção, no meu caso, feito pelo procurador-geral”, acrescentou em outro trecho.

Cunha afirmou ainda estar “absolutamente sereno” e refutar as “ilações” da denúncia. Disse estar com a consciência tranquila e que continuará presidindo a Câmara “com a mesma lisura e independência que sempre nortearam” seus atos. Lembrou que em 2013 foi denunciado pelo MP por outro motivo, a denúncia foi aceita e, em 2014, ele foi absolvido por unanimidade pelo Supremo. “Isso corrobora o previsto na Constituição federal, da necessidade do princípio da presunção da inocência”. Cunha encerra a nota dizendo confiar “plenamente na isenção e imparcialidade” do Supremo para “conter essa tentativa de injustiça”.

Depois de ler a nota, segundo deputados que estavam com ele, Cunha classificou a peça como “ridícula” e sem consistência.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva, respondeu ao presidente da Câmara. Também em nota, o ministro afirmou que “o governo da presidente Dilma (Rousseff) acredita na isenção das instituições que apuram as denúncias”. E informou que o Palácio do Planalto não comentaria “o conteúdo da manifestação” de Cunha.

 

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