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20 April 2021

Aprovação da Louos aumenta em até 15% demanda por projetos

Menos de um mês após a aprovação da nova Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (Louos), grandes escritórios de arquitetura de Salvador já recebem encomendas de estudos para a construção de grandes empreendimentos em áreas agora liberadas para a verticalização. Alguns registraram aumento de até 15% na demanda.

São escritórios que estão com até 30 projetos em suas gavetas, a pedido de  construtoras que adquiriram terrenos  em bairros como Caminho das Árvores e Patamares. Parte desses projetos veio em função de mudanças na lei.

“Grandes escritórios de arquitetura já estão com  uma boa movimentação de clientes”, atesta o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Carlos Henrique Passos.

O diretor de incorporação da Odebrecht na Bahia, Daniel Sampaio, avalia que a nova legislação simplificou o entendimento sobre o uso do solo, em relação à  lei anterior. O executivo diz que, para  a concepção de qualquer empreendimento, usavam-se parcialmente algumas  leis mais novas e, em parte, leis mais antigas, o que, segundo ele, causava insegurança na interpretação e na aplicação em todo o mercado imobiliário.

“Hoje, após grande participação da sociedade e dos entes que estudam e vivem a cidade, temos o novo PDDU e a nova Louos, que vão trazer grande avanço nas bases de crescimento da cidade e estabelecem de forma clara e objetiva as regras vigentes, o que gera a segurança necessária aos investimentos no setor imobiliário”, afirma.

O superintendente regional da Queiroz Galvão Desenvolvimento Imobiliário, Luiz Pimentel, acredita em  um novo período do mercado imobiliário. “A Louos e o PDDU trarão mais segurança jurídica, porém também será um período de ajustes, para o incorporador, para os proprietários de terreno e inclusive para os clientes, que perceberão mudanças na concepção dos projetos”, afirma.

Estabelecido em uma avenida que será impactada pela Louos, a Adhemar de Barros,  em Ondina, o arquiteto Antonio Caramelo conta cerca de 30 pedidos de estudos de viabilidade, todos grandes projetos, feitos por incorporadoras depois que a Louos foi sancionada pela prefeitura de Salvador.

“Nem todos os estudos foram encomendados por causa da mudança, essa é uma época em que tradicionalmente as incorporadoras encomendam estudos”, afirma Caramelo, referindo-se ao período pós-chuvas, quando há mais facilidade para os técnicos avaliarem os terrenos.

Mas ele admite que houve um crescimento na procura por estudos em relação ao mesmo período do ano passado. “Esse crescimento, de cerca de 15%, eu credito à Louos”, afirma o arquiteto, que prevê uma aceleração do ritmo de estudos para áreas como Caminho das Árvores e Horto Florestal, mas também em bairros centrais, como Graça e Ondina. “Aqui na Adhemar de Barros algumas casas, antigas residências militares, foram leiloadas. Pelas novas regras, ali podem ser construídos prédios de 60 metros de altura,  o que daria uns 20 andares”, afirma.

Menos otimista, o arquiteto Francisco Mota afirma que o mercado imobiliário já saiu do “olho do furacão”, mas ainda está caminhando lentamente. Apesar da cautela, ele admite a chegada de novos pedidos de estudos ao  escritório que mantém em sociedade com o também arquiteto André Sá.

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