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15 June 2021

Bailarina supera doença que a pôs de cama e surpreende médicos ao voltar a dançar

Claudia Melcop hoje tem 33 anos, mas, foi aos 5 que descobriu uma de suas grandes paixões: a dança. Diferente do destino de parte das bailarinas, a pernambucana não trocou os palcos por uma profissão formal e tampouco foi para fora do país compor grandes companhias. A sua história de amor, esperança e superação depois de enfrentar um grave problema de saúde, no entanto, é de deixar qualquer um emocionado. Após ter grande parte dos movimentos do corpo limitados, a bailarina contrariou o médico que fez seu diagnóstico final e não deixou de expressar sua vida através da dança.

Primeiro contato

A dança entrou em sua vida com o incentivo da família. Mas, bastou aprender os primeiros passinhos para que Cláudia se apaixonasse pela atividade. “Logo cedo eu tive que decidir. Teve uma época que minha família perguntou se eu queria fazer inglês ou balé e na hora, sem nenhuma dúvida, eu optei por continuar dançando”, relembra.

Em 2005, depois de formada em medicina, Claudia chegou em São Paulo para fazer sua especialização. “Eu cheguei e a primeira coisa que pensei foi em arrumar um lugar para dançar. Comecei a ensaiar e cheguei a apresenta um espetáculo”, conta.

Peça do destino

Mas, o destino quis provas do amor da bailarina e, em 2009, Claudia começou a notar alterações em seu corpo. “Eu tinha dificuldade para fazer vários movimentos, mas no começo achei que era alguma indisposição, despreparo ou falta de alongamento”, comenta.

Mas não era. A pernambucana ignorou os sinais que o seu corpo estava dando até o momento em que começou a mancar e perder a força nas pernas a ponto de não conseguir mais sustentar o corpo em pé. “Eu estava em uma viagem quando comecei a cair com muita frequência. Na volta, percebi que eu tinha que procurar ajuda médica”, diz.

 

Diagnóstico

Claudia passou mais de um ano sem diagnóstico

Mesmo após o levantamento de diversas suspeitas – entre elas a possibilidade de doenças degenerativas – o diagnóstico não foi preciso. Como tratamento, uma internação por semana a cada mês. “Eu fiquei nessa situação por um ano e meio. Não conseguia caminhar sozinha, subir e descer escadas ou me atrever a qualquer passo de dança”, conta.

Com diagnóstico impreciso e tratamento altamente agressivo sem resultados notáveis, Claudia decidiu procurar especialistas fora do país. Em 2010, durante a viagem de avaliação, ela descobriu que tinha sofrido um processo inflamatório no sistema nervoso central – sem que se soubesse a causa ou houvesse uma doença específica diagnosticada. E esse quadro havia deixado sequelas. “O médico disse que eu ia ter que aceitar e conviver com as sequelas. Na hora eu perguntei se conseguiria voltar a dançar e ele disse um categórico ‘não’. Na despedida, eu olhei para ele e disse que em breve enviaria o convite do meu próximo espetáculo”, brinca.

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Esperança e luta

“O fato de não ter que continuar com o tratamento foi libertador. Eu deixei de parar minha vida por uma semana a cada mês”, conta aliviada.

Depois das longas sessões de fisioterapia e de pilates para manter o tônus muscular, a bailarina decidiu arriscar e voltou para a dança. “Conversei com o bailarino Rubens e ele disse que devíamos tentar. Comecei bem devagar, fazendo uma aula por semana e, aos poucos, aumentei a frequência”, conta.

Para Claudia já bastava ter voltado. Mas, desta vez, o destino a surpreendeu positivamente. “Ele estava selecionando bailarinas para um projeto e me chamou. Eu olhei e perguntei se ele achava mesmo que eu tinha condições. A resposta, mais uma vez, foi a de que devíamos tentar. Essa confiança foi um grande estímulo, ele acreditou em mim, acreditou que era possível muito mais do que eu. Foi ele quem abriu meus olhos para essa possibilidade”, relata com gratidão.

“Eu comecei a frequentar os ensaios como dava. Estava fazendo meu melhor, mas sabia que talvez não pudesse subir ao palco. Meus ganhos foram cada vez maiores, minhas condições físicas aumentaram e eu comecei a fazer coisas que não fazia. Tinha mais equilíbrio, tropeçava menos, tinha mais apoio e velocidade. Por fim, consegui fazer o espetáculo e isso foi uma imensa vitória. Naquele momento, o meu prazer era tão grande que eu me sentia fazendo mil piruetas mesmo executando um movimento simples”, relembra.

Vitórias

Atualmente, Cláudia está em cartaz com terceiro espetáculo desde que veio para São Paulo

Para além dos ganhos físicos, a pernambucana conta que a dança possibilitou um grande avanço emocional para a superação do problema. “Ter alguém me convidando para aquele projeto mesmo sabendo da minha dificuldade fez com que eu olhasse de um jeito diferente para a minha limitação. Eu fiquei mais próxima dela, entendi meu limites, comecei a me aceitar e, finalmente, pude cumprir a promessa feita ao médico: fiz parte de um espetáculo”, comemora.

Espetáculo

Claudia em breve estará, mais uma vez, em cartaz. Desta vez, no espetáculo “Correm as Cidades nos Quatro Cantos do Mundo”, no Teatro MASP, em São Paulo, nos dias 23, 24 e 25 de outubro.

Por: Bolsa de Mulher

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