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10 May 2021
Banco Mundial (Foto: Reprodução)

Banco Mundial não tem previsão de quando acabará a recessão no Brasil

O economista do Banco Mundial para a América Latina, Augusto de La Torre, na manhã desta terça-feira (12), afirmou, em um evento em Washington, que o Brasil pode ter que fazer uma profunda reforma no futuro, caso continuar a demorar em fazer seu ajuste fiscal agora. Ele informou que, apesar do país ter sido o que mais trouxe benefícios aos pobres durante sua boa fase, na década passada, foi o que mais sofreu com a valorização cambial (títulos de crédito) e isso limita a reação atual à crise econômica.

“Agora, o Brasil vive uma transação que não é só econômica, mas também passa por um debate intenso político, questões de escândalos que são complicadas. Agora, os problemas econômicos interagem com questões políticas e até judiciais. Isso pode ser necessário para se oxigenar a democracia brasileira, mas amplia as incertezas que afetam os investimentos no curto prazo e deixa mais difícil as conversas sobre os desequilíbrios fiscais, que podem ser ainda maiores no futuro”, disse De La Torre no evento do Banco Mundial.

De La Torre disse não ser possível identificar quando irá acabar a queda econômica no Brasil, pois não se sabe quando os lucros voltarão para o país. Segundo o banco, este ano pode ter uma recessão de 3,5% por conta das altas taxas de juros, que indica gigantescos riscos.

“É claro que este problema político afeta os investimentos. Não posso fazer previsão disso porque se trata de fatores internos, mas tudo o que acontece no mundo político está afetando a confiança e os investimentos”, declarou o economista.

Ele lembrou que a recessão no Brasil afeta os países do Cone Sul — Argentina, Uruguai e Paraguai — por causa do forte comércio com as nações vizinhas e toda a região de forma psicológica, pois o temor de problemas no Brasil gera uma imagem ruim para todo o continente: “Quando há perspectiva negativa para o Brasil se estende uma nuvem sobre toda a região. ”

La Torre lembrou que a América Latina, de modo geral, vive o quinto ano seguido de desaceleração econômica e é o segundo em recessão. Por outro lado, a América Latina está vivendo uma divisão com o continente mais ao norte crescendo, no rastro da recuperação econômica dos Estados Unidos e o Sul sofre com a recessão por causa da queda dos preços das commodities (produtos básicos com cotação internacional, como soja, minério de ferro e petróleo) e com a desaceleração da China. O ajuste tem sido mais lento e doloroso que o esperado, lamentou o economista do Banco Mundial.

Por Click Notícias
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