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30 November 2021

BC eleva taxa básica de juros para 14,25%

BRASÍLIA – Pela sétima vez consecutiva — o quinto aumento só em 2015 — o Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros (Selic) com o objetivo de conter a inflação. A Selic subiu de 13,75% para 14,25% ao ano, por decisão unânime tomada nesta quarta-feira e anunciada à noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa é a maior desde agosto de 2006, quando também chegou a 14,25% ao ano.

 

Estimativas do mercado mostram que a inflação medida pelo IPCA deve chegar a 9,23% este ano, percentual que equivale a mais que o dobro do centro da meta estipulada pela autoridade monetária para 2015, de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais.

 

A elevação dos juros básicos em 0,5 ponto percentual ocorre em um momento de crise política com rápida deterioração do cenário econômico, com o reconhecimento do governo de que o ajuste das contas públicas será praticamente nulo.

 

O diretor de Assuntos Internacionais do BC, Tony Volpon, que teria antecipado a analistas de mercado e à imprensa seu voto desta quarta-feira, não participou da votação.

 

Em nota, a instituição explicou que Volpon “decidiu se abster de participar desta reunião” do Copom, “a fim de evitar possíveis prejuízos à imagem do Banco Central do Brasil, sendo essa decisão em caráter pessoal e irretratável”, conforme justificou o diretor em comunicado dirigido ao presidente do banco, Alexandre Tombini, antes do início da reunião.

“Os membros do Comitê compreenderam a decisão. Em reunião extraordinária realizada em 28 de julho, a Diretoria Colegiada já havia acolhido os esclarecimentos quanto ao teor de recente declaração pública de Volpon “, diz ainda o comunicado.

 

PARA ECONOMISTA, BC FOCA EM 2016

 

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, acredita que o Copom, ao aumentar a Selic para 14,25%, não está focando mais em 2015 e, sim, 2016. Ou seja, a elevação de 0,5 ponto percentual terá efeito maior no ano que vem e o objetivo é levar a inflação para algo em torno de 5%, índice mais próximo do centro da meta.

— O aumento ficou dentro das expectativas. A inflação de 2015 já está dada — disse Agostini.

 

Já o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, acredita que o cenário atual sugere um aperto monetário maior. Segundo ele, a reavaliação da nota do Brasil para “negativa” pela agência de risco Standard & Poor’s também ajudou na decisão do Copom.

Outro ponto destacado pelos economistas é que, com a decisão desta quarta-feira, os juros devem permanecer neste patamar de 14,25% nos próximos meses, o que reforça a preocupação com a inflação em 2016.

— Ao anunciar que não há mais subidas das taxas em curso, pelo menos por enquanto, o Banco Central tem pressa para indicar que não tem a intenção de cortar as taxas de juros tão cedo, daí a menção a um “período suficientemente longo” — comentou o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC.

O presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, Carlos Eduardo de Freitas, outro ex-diretor do banco, disse ter achado “ótimo” o aumento da Selic. Isto porque, a redução da meta de superávit fiscal decidida pela área econômica do governo, de 1,13% para 0,15% do PIB, causou preocupação.

— O Copom está de parabéns. Tinha de fazer isso, porque o movimento da semana passada nos deixou apreensivos — afirmou Freitas.

 

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