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15 June 2021

Boxeadora que lutava contra câncer raro morre em Porto Alegre

A gaúcha Giovana Kreitchmann Cavalcanti, lutadora de boxe que lutava contra um raro tipo de câncer, morreu neste domingo em Porto Alegre. Segundo o médico que cuidava de seu tratamento, a progressão da doença não pôde ser impedida, e ela morreu nesta manhã, aos 25 anos.

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Giovana ficou conhecida com seu caso e pela luta para levantar R$ 250 mil para seu tratamento. Como o tipo de câncer que enfrentou é raro, ela precisava de medicamentos que não existem no mercado brasileiro, e teve ajuda de muitos de apoiadores na internet. Foram R$ 238 mil juntados, 95% do que precisava, com 959 pessoas participando.

Segundo André Fay, médico de Giovana e professor de Medicina na PUC-RS, a morte ocorreu por conta de “uma progressão da doença. Ela teve uma piora nos últimos dias e e veio a falecer. hoje pela manhã. Não houve nenhum acontecimento específico, apenas um avanço da doença que não conseguimos controlar com as medicações”.

Os problemas de saúde da gaúcha foram notados em 2012 quando uma aparentemente inocente bolinha apareceu atrás de sua orelha. Havia 90% de chance de ser um tumor benigno, mas Gi entrou no outro grupo. Ela então foi diagnosticada com um carcinoma mioepitelial de parótida, atacando a glândula salivar. Não bastando, a situação é ainda mais delicada, pois houve metástase, e o câncer é encontrado em órgãos, ossos e no cérebro.

O problema enfrentado pela gaúcha tem cerca de 500 casos registrados no mundo, apenas. O baixo número impossibilita que se faça estudos detalhados e, portanto, entende-se pouco como a doença age e quais são as formas de tratamento adequadas. “Como é muito raro, nunca tive o tratamento certo, tipo: ‘esse vai dar certo’. Sempre fui cobaia do meu tratamento”, contou em junho, ao UOL, Giovana, que já teve momentos de descrença, em que sua família foi colocada de sobreaviso de que sua morte poderia ser questão de tempo.

A gaúcha passou por diversos tipos de ação, com quimioterapias e tratamentos guiados por avaliação molecular, para identificar mutações genéticas. Por um tempo, eles foram bem. Depois deixaram de ter efeito, exigindo algo mais ousado. Tentou-se então o uso de imunoterápicos, mas o tratamento também fracassou.

Giovana sempre foi ligada aos esportes. Por ser grandona e forte, descobriu seu talento no handebol, para azar das suas colegas de escola. “Tinha tanta força, que quebrei a maioria das meninas. Ninguém ficava no gol quando eu jogava, porque quebrei o dedo de várias meninas, minha bola era muito forte”, ri ela, que também praticava vôlei e ouvia até músicas de zoeira dos amigos.

Quando deixou a escola, Gi resolveu procurar outro esporte e há cerca de cinco anos encontrou o boxe. Ela chegou a entrar no ringue com Popó, em 2011, quando o ex-campeão mundial foi a Porto Alegre, procurou uma academia para treinar e seus colegas ficaram hesitantes em fazer um sparring com o baiano. Ele homenageou a lutadora em seu Facebook, neste domingo.

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