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28 November 2021

BRT de Salvador pode esbarrar em questões políticas disfarçadas de burocracia

A implantação do BRT (Bus Rapid Transit) entre a Lapa e a Ligação Iguatemi-Paralela, passando pela Vasco da Gama, Juracy Magalhães e Antônio Carlos Magalhães, era uma aposta do prefeito ACM Neto (DEM) para a sua gestão iniciada em 2013. Era, inclusive, uma das obras de mobilidade urbana vistas com maior entusiasmo dentro da prefeitura, já que o metrô foi transferido para o governo estadual no mesmo ano em que assumiu a administração municipal.

 

Foi exatamente em 15 de outubro de 2013, na solenidade em que a presidente Dilma Rousseff (PT) assinou a concessão da Linha 2  do sistema metroviário ligando a capital ao município de Lauro de Freitas, que ela lançou na Bahia o PAC da Mobilidade Urbana, que destinaria recursos para, além do metrô, para o BRT e o VLT, o Veículo Leve Sobre Trilhos que é uma proposta do governo baiano para ligar o Comércio ao bairro de Paripe. No palanque da dirigente nacional estava o então governador da Bahia e ministro da Defesa, Jaques Wagner, o prefeito ACM Neto, o então vice-governador Otto Alencar, o ex-ministro dos Transportes, César Borges, além de deputados federais baianos. Os presentes na cerimônia ouviram Dilma anunciar o aporte financeiro de R$ 600 milhões para o BRT e fazer afago, em seu discurso, ao gestor democrata classificando-o como “grande parceiro dos governos estadual e federal”.

 

No início de agosto, Dilma deve vir à Bahia anunciar investimentos para a capital baiana na construção de contenção de encostas e, de novo, para os projetos do VLT e do BRT. Setores ligados ao prefeito dizem que ela vem requentar a promessa. E pode ser, por dois motivos. O mais amplo é a crise econômica que o país enfrenta e que tem feito o Palácio do Planalto cortar gastos em quase R$ 70 bilhões do Orçamento. O segundo se trata de questões políticas. ACM Neto tem a seu favor, além do título de melhor prefeito do Brasil, a reorganização da cidade deixada em estado crítico pelo seu antecessor, João Henrique. O governo federal viabilizar a implantação do BRT seria carimbar a reeleição do democrata, que deve duelar nas próximas eleições com candidatos ligados ao governo do estado, que poderá ter um nome petista ou algum aliado.

 

Até o momento, o prefeito aguarda a aprovação do Orçamento da União no Congresso Nacional, de onde poderá vir R$ 300 milhões, e ainda: espera a liberação do empréstimo pela Caixa Econômica Federal de um montante de R$ 541,8 milhões. Para se ter uma ideia da morosidade com que anda o governo federal em otimizar tal liberação, levou-se quase um ano entre o anúncio da presidente Dilma sobre a destinação dos recursos e o início da análise do pedido do financiamento na entidade financeira. Somente em 2 de julho de 2014 que a Caixa deu início à análise da documentação entregue pela prefeitura soteropolitana.

 

No início do primeiro semestre de 2015, o Ministério das Cidades cobrou da prefeitura um Plano de Mobilidade Urbana como condição para liberar os recursos para o BRT. Na época, o secretário de Mobilidade de Salvador, Fábio Mota, alegou que quando a documentação foi entregue em 2014, não houve a exigência de tal instrumento. Agora, a prefeitura tenta elaborar o referido plano até dezembro desse ano. Está aí, o principal motivo que faz com que o prefeito ACM Neto tenha que esperar por mais um tempo a concretização da sua proposta que tinha previsão de ter obras iniciadas em 2014 e finalização em 2016, pleno ano eleitoral.

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