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19 January 2022

Camisinha de dedo e língua prometem prevenir contra DST’s

Semana passada vi uma matéria no Yahoo bem interessante. O artigo informava a respeito de um antiviral que poderia ser usado por garotas na prevenção à contaminação com o vírus da Aids. De acordo com a matéria o medicamento seria indicado inclusive pra a prevenção da contaminação durante relações sexuais entre mulheres.


Cientistas estudam um absorvente interno que impede a contaminação por HIV. Um grupo de biomédicos da Universidade de Washington está fazendo testes de um absorvente interno com remédios que não permitem a contaminação por HIV. A ideia é que ele seja usado antes do sexo e o medicamento seja liberado, em grandes quantidades, no corpo. O estudo, publicado no jornal Antimicrobial Agents and Chemotherapy, explica o funcionamento do dispositivo: em contato com a umidade, as fibras do absorvente interno se dissolvem e liberam o medicamento Maraviroc, que hoje é utilizado para tratar pacientes com o vírus, mas também é capaz de prevenir que ele se instale em pessoas saudáveis”. 

Fico imensamente feliz que a mulher possa de alguma forma ser protagonista na proteção a sua saúde quando o assunto envolve sexualidade. No entanto, me preocupa um pouco que, assim como ocorre no caso da contracepção oral e injetável, a responsabilidade de prevenção/proteção contra HIV/ Aids recaia exclusivamente sobre a mulher. Hoje, a responsabilidade sobre uma gravidez não planejada ou indesejada sempre pesa sobre a mulher. É sempre ela que não se cuidou ou que não se preveniu. Será que esse novo método de prevenção não acabaria sobrecarregando a mulher? Outra questão; será que essa não se tornaria a única barreira contra o vírus nas relações heterossexuais? Caso isso ocorresse, quais os impactos dessa prática para a saúde feminina?

O Brasil está entre os países em que a epidemia do HIV/AIDs atinge cada vez mais as mulheres, em sua maioria casadas ou vivendo com parceiro fixo, com baixo nível educacional,  escasso acesso a informações e precário acesso a serviços de saúde. Com um cotidiano marcado pela falta de autonomia ou de poder na relação com os homens, em geral as mulheres não conseguem negociar com seus parceiros a adoção de atitudes preventivas nas relações sexuais.” Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA) 

Particularmente, acredito que essa medida possivelmente não se converta num método usual de prevenção ao HIV, já que, segundo a reportagem informa, uma grande quantidade de medicamento é liberado no organismo e isso deve ter impacto sobre a saúde da mulher. Bem, esse é um aspecto da discussão, outro seria o uso como método de prevenção durante o sexo oral.

 
É claro que a notícia me deixaria bastante feliz caso, finalmente, mulheres que fazem sexo com mulheres pudessem contar com um efetivo método de proteção à contaminação pelo vírus da Aids, já que esse grupo não dispõe atualmente de métodos de prevenção destinado a especificamente a elas ou a proteção durante o sexo oral aplicado na mulher de forma geral. No entanto, como coloquei acima, devido a alta dosagem de medicação, acredito que ainda não seja dessa vez que esse grupo venha a ser contemplado com um método de prevenção a ser usado em todas as relações. 


Sabendo da posição do Brasil como um dos campeões em número de casos de AIDS, do crescimento da infecção nas mulheres e da seriedade e grande experiência da UNICAMP em estudosde reprodução humana, incluindo métodos anticoncepcionais, os pesquisadores norte-americanos propuseram uma colaboração entre a Rush University, a UNICAMP e o Centro de Pesquisas em Doenças Materno-Infantis (CEMICAMP). Nesta colaboração, um dos produtos em estudo, que contém componentes já utilizados em outros produtos no Brasil, já testado em animais nos EUA e considerado seguro, seria produzido numa farmácia de manipulação brasileira seguindo os padrões de Boa Prática laboratorial exigidos pelos órgãos de controle nacionais e internacionais sob supervisão dos farmacêuticos brasileiros e norte-americanos, e posteriormente seriam iniciados os chamados estudos clínicos, em humanos, através de testes iniciais de tolerabilidade. O nome do produto proposto para estes testes clínicos no Brasil é Acidform e os ingredientes incluídos em sua fórmula já são utilizados em medicamentos de uso vaginal, retal e/ou oral
. Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA). Felizmente, outras alternativas vêm sendo estudadas, inclusive, aqui no Brasil desde a década de 90. 

Enquanto esses métodos não chegam ao mercado e eles não se tornem seguros para uso em todas as relações, alguns métodos preventivos adotados atualmente, dentre eles, o uso de camisinha feminina pode ser uma alternativa, tanto para ser usada durante a penetração (numa relação heterossexual) quanto para a proteção da vulva no decorrer do sexo oral. Outras alternativas de proteção são o preservativo de língua, luvas de látex e camisinhas recortadas (formando um lençol pra envolver a área), lençol de borracha para procedimento odontológico e plastifilme (instruções de corte e uso nas figuras ao longo do texto). Para introdução dos dedos podem ser usadas as camisinhas de dedos, (dada a dificuldade de ser encontrada luvas de látex podem ser usada como alternativa). Os brinquedos eróticos estilo dildo, quando compartilhados, devem ser protegidos pela camisinha. Outros brinquedos que entrem em contato com fluidos corporais e não possam ser adequadamente protegido ou higienizado o ideal é que não seja compartilhado. 


“vale lembrar que a prevenção é muito importante, não só no caso da infecção pelo HPV como também pela possibilidade de contaminação por qualquer outra doença sexualmente transmissível. Então, lembre-se sempre de conversar com a parceira sobre DST’s. Se vocês têm uma relação legal e querem parar de utilizar alguns métodos de prevenção, vale pedir para que ela faça os exames de DST’s  e fazer você também. Eu sei que isso pode ser um pouco desagradável e que, mesmo que os testes tenham resultado negativo, a possibilidade da presença de alguma doença ainda existe, mas vale a pena utilizar mais esse meio de prevenção. E mais, se você já foi diagnosticada com alguma DST, não esconda isso da sua parceira. Ela tem o direito de saber e você tem o dever de contar. Só assim vocês vão poder conversar abertamente sobre o assunto e sobre como impedir a contaminação dela. Além disso, lembre-se de se conferir antes das relações sexuais para ter certeza de que não existe nenhuma lesão na cherry (vulva) ou em suas proximidades.”
Sapatômica.“Um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo com 145 lésbicas entre 18 e 61 anos de idade revela que apenas 2% delas se previnem durante o sexo para evitar doenças sexualmente transmissíveis (DST), como o vírus da Aids. Segundo o Centro de Referência e Treinamento DST/Aids da secretaria, responsável pela pesquisa, as mulheres que mantêm relações com suas parceiras desconhecem que podem pegar as mesmas doenças que as heterossexuais”. 

Dados adicionais envolvendo a saúde da mulher lésbica podem ser obtidos no link acima, inclusive com as respectivas estatísticas. Seria bem interessante dá uma olhada. Você também pode dar uma conferida de como fazer sexo seguro (oral e outras práticas) nas páginas Duas Damas e Sapatômica. 

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