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27 September 2021
Foto: Reprodução

Carne bovina sobe mais de 17% em um ano

A alta do dólar, que hoje está na casa dos R$ 3,87, também influencia, já que o seu preço está atrelado à moeda norte-americana

Além dos aumentos na conta de energia e de água, da elevação no preço dos combustíveis, dentre outros itens que fazem parte da vida de muitos baianos, o valor da carne bovina também vem deixando muita gente na bronca. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o preço do produto subiu, nos últimos 12 meses, 17,23%, quase o dobro da inflação oficial, que está em 9,49%.

As razões apontadas por isso, segundo especialistas de área de economia, é de que, por conta da seca, os preços da carne de boi, principalmente, ficaram mais elevados. A alta do dólar – que hoje está na casa dos R$ 3,87 – também influencia, já que o seu preço está atrelado à moeda norte-americana.

A opção, para quem não abre mão da carne de boi, seria por buscar pelas partes menos nobres do animal, como a fraldinha. Outra solução pode estar até mais próxima do que se imagina, mesmo para quem vai ao supermercado e está sentindo no bolso. A depender do tipo de carne desejada pelo consumidor, a diferença entre o pedaço do produto vendido diretamente no açougue do estabelecimento e o que está disponível nas prateleiras, já embalado, pode chegar a ser de até R$ 3 o quilo.

O coxão duro, geralmente usado em churrascos ou que pode ser cozida na panela de pressão custa, nas prateleiras, R$ 19,90, o quilo. No açougue, o valor fica entre 5% e 6% mais barato. A mesma situação ocorre com a alcatra, uma das peças mais macias do boi, que custa R$ 27,90, o quilo na prateleira e R$ 26,90 diretamente com o açougueiro. E se pesquisar, ainda pode encontrar a carne por até R$ 21 em alguns açougues da cidade.

“Lá em casa a gente fazia o consumo de vários de tipos de carnes, mas com o aumento, a gente agora sai fazendo pesquisa para ver onde vai comprar. Eu até prefiro comprar em açougues, já que muitas vezes nós não sabemos qual é a origem das carnes que estão embaladas nos supermercados. Por outro lado, muitos não economizam por que não tem o hábito de olhar o preço do quilo do produto. Ele já vai ao preço final achando que está pagando mais barato”, alertou o funcionário público, Antônio Nascimento.

E, de fato, ele tem razão. Se o consumidor mantivesse a linha de pesquisa de preços tomando como base o preço do quilo da carne ele poderia ter uma economia maior. Outro pedaço de carne pesquisado pela reportagem, o lagarto – ou paulista – foi o que teve a maior diferença: 15%. Enquanto custava, na prateleira, R$ 22,90, o quilo, no açougue ele chega a custar R$ 19,90. Já o patinho, tinha o preço equivalente nos dois lugares, na casa dos R$ 20.

É considerando a praticidade e o ganho de tempo no preparo das carnes, que a bancária, Adriana Oliveira, prefere já comprá-las embaladas e com os pedaços fatiados. Por outro lado, ela ficou surpresa com a diferença de valores do mesmo produto no mesmo lugar e até considerou a possibilidade de, a partir de agora, ter um “trabalho extra” em casa. “Acho que valeria a pena ir até o açougue e pedir um pedaço da carne para darmos o tratamento final em casa. Nos mercados você pode ver que, mesmo com o que é feito, ainda fica muita parte que a gente não aproveita. No final das contas, acredito que a economia acabe sendo muito maior pro nosso bolso”, comentou.

Novo aumento

Mas, devido à chegada das festas de fim de ano, o presidente do Sindicato das Indústrias de Carne do Estado da Bahia (Sincar), Júlio César Farias disse que um novo aumento pode vir por aí, na casa dos 3%. “A entre safra, sem dúvida, dificultou a oferta, mas a gente não vem temendo prejuízos por que o consumo de carnes suínas e de frango ajudou a equilibrar essa balança”, pontuou.

Para o consultor de varejo da Associação Baiana de Supermercados (Abase), Rogério Machado, o que pode acontecer é justamente, na verdade, um aumento nos preços das carnes de suínos e aves. “Nós já estamos percebendo que estão faltando alguns produtos derivados do porco e vamos entrar em negociação com os fornecedores para saber se haverá elevação dos preços destes dois itens”, salientou.

Por Yuri Abreu / Tribuna da Bahia
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