Data de Hoje
19 June 2021

Carro capota na paralela

Ele estava lutando pela aposentadoria", diz filho de homem morto por táxi na avenida Paralela<br />
Carro arrastou corpo por 20m e capotou; alvará estava vencido</p>
<p>O operário da construção civil José Valentim Sobrinho,  63 anos, morreu após ser atingido por um táxi na Avenida Paralela, na altura do condomínio Alphaville 2, pouco depois das 5h de ontem. Segundo a  Polícia Civil, o condutor do Corsa Classic, placa NZV-2016, de Simões Filho, Muriel Matos Cerqueira, 25, seguia no sentido Centro (da capital), quando perdeu o controle do veículo e subiu no meio-fio, atingindo José, que aguardava a chegada de um amigo, à margem da via. </p>
<p>Apesar de a carteira de habilitação (CNH) do condutor e o Certificado de Licenciamento do Veículo (CLV) estarem em dia, o alvará que permite o táxi de circular regularmente, encontrado dentro do carro, estava vencido.</p>
<p>De acordo com o boletim de ocorrência registrado no Hospital Geral do Estado (HGE), para onde Muriel foi conduzido, ele estava sozinho no momento do acidente. O taxista contou à polícia uma versão diferente sobre como os acontecimentos se sucederam: segundo ele, a vítima invadiu a pista, a fim de atravessar a via. Ao tentar evitar a colisão, Muriel alega que perdeu o controle do carro, atingiu o homem e foi parar no canteiro.<br />
Peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que analisaram o local após o acidente, informam que a principal hipótese é que o taxista seguia em alta velocidade pela Avenida Paralela quando perdeu a direção do veículo e entrou em um canteiro, à direita. </p>
<p>Após subir o meio-fio, o carro atingiu José Valentim, e se deslocou pelo gramado, ainda em velocidade, até se chocar com uma árvore e capotar várias vezes, parando próximo à rotatória na entrada da Avenida 29 de Março. José foi arrastado por  20 metros.</p>
<p>O corpo do operário acabou arremessado para a pista, enquanto o veículo seguiu para o lado oposto. Entre os 40 metros que separavam o ponto de colisão e o corpo da vítima, ficaram o boné, sandálias e até mesmo a dentadura que José usava, além de peças do carro e o sapato do taxista. A vítima morreu no local do acidente. Já Muriel sofreu uma lesão na mão e, até o fechamento da edição, seguia no HGE, sem previsão de alta.</p>
<p>Aposentadoria<br />
O operário morava no Bairro da Paz, que fica no lado oposto à pista em que ocorreu o acidente. Segundo familiares, José havia acordado cedo para esperar um amigo na parte onde foi atingido. De lá, os dois iriam ao Alphaville 2, onde José apresentaria o amigo a encarregados de obras com quem trabalhou, como indicação. </p>
<p>O operário trabalhou por mais de 20 anos na construção civil e estava desempregado há cerca de seis meses. Ele já havia dado entrada no pedido de aposentadoria pelo INSS e aguardava a liberação fazendo bicos como autônomo. “Ele estava lutando há algum tempo para conseguir a aposentadoria. Já tinha contribuído tempo suficiente e resolveu se aposentar. Só faltava regularizar algumas pendências”, explica o filho, Flávio Valentim, 23. José morava com os dois filhos e a mulher.</p>
<p>Comoção<br />
Apesar da presença de um saco com latinhas de alumínio na área do acidente, o que levou populares a acreditarem que a vítima seria catador de materiais recicláveis, a família negou essa versão. “José trabalhou muitos anos de carteira assinada. Ele só estava desempregado. Nunca trabalhou como catador. Aquele saco que estava lá não pertencia a ele”, garante o cunhado, Mario Calmon, 58.</p>
<p>O acidente não causou grande complicação no trânsito. O corpo foi removido por volta das 9h45, em meio a muita emoção dos familiares, que precisaram ser amparados por amigos. A Transalvador informou que, no primeiro momento, não foram constatados indícios de alcoolemia no condutor. O laudo do DPT tem previsão de conclusão em 30 dias. A 12ª Delegacia de Polícia (Itapuã) investiga o caso. Colaborou Clarissa Pacheco.</p>
<p>Acidente com táxi deixou dois mortos no ano passado<br />
Em setembro do ano passado, um caso de atropelamento envolvendo outro táxi também deixou vítimas fatais em Salvador, dessa vez na Avenida Bonocô. O condutor, que não teve o nome revelado, perdeu o controle do veículo e atingiu cinco pessoas em um ponto de ônibus próximo à Casa Eloy, no sentido Iguatemi. Josilda Menezes de Sena Gomes, de 50 anos, e Sidcleia Santos da Silva, 19, não resistiram aos ferimentos. </p>
<p>Em 2014, pelo menos dois casos de maior gravidade envolveram taxistas. No último dia 4, uma colisão, também na Avenida Paralela, deixou duas pessoas feridas, após um carro de passeio bater contra um táxi e capotar. Em 7 de fevereiro, já na Pituba, duas pessoas se feriram, dessa vez após um táxi bater num veículo. O táxi chegou a pegar fogo, mas as vítimas tiveram apenas ferimentos leves. </p>
<p>Já em dezembro do ano passado, uma pessoa ficou ferida após uma batida entre um táxi e um carro de passeio, mais uma vez na Pituba. A Gerência de Táxi (Gtxai) da Transalvador não possui estatísticas de acidentes envolvendo taxistas. A frota da capital conta com sete mil veículos.

 

 

Ele estava lutando pela aposentadoria", diz filho de homem morto por táxi na avenida Paralela
Carro arrastou corpo por 20m e capotou; alvará estava vencido

 

O operário da construção civil José Valentim Sobrinho, 63 anos, morreu após ser atingido por um táxi na Avenida Paralela, na altura do condomínio Alphaville 2, pouco depois das 5h de ontem. Segundo a Polícia Civil, o condutor do Corsa Classic, placa NZV-2016, de Simões Filho, Muriel Matos Cerqueira, 25, seguia no sentido Centro (da capital), quando perdeu o controle do veículo e subiu no meio-fio, atingindo José, que aguardava a chegada de um amigo, à margem da via. 

Apesar de a carteira de habilitação (CNH) do condutor e o Certificado de Licenciamento do Veículo (CLV) estarem em dia, o alvará que permite o táxi de circular regularmente, encontrado dentro do carro, estava vencido.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado no Hospital Geral do Estado (HGE), para onde Muriel foi conduzido, ele estava sozinho no momento do acidente. O taxista contou à polícia uma versão diferente sobre como os acontecimentos se sucederam: segundo ele, a vítima invadiu a pista, a fim de atravessar a via. Ao tentar evitar a colisão, Muriel alega que perdeu o controle do carro, atingiu o homem e foi parar no canteiro. 
Peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que analisaram o local após o acidente, informam que a principal hipótese é que o taxista seguia em alta velocidade pela Avenida Paralela quando perdeu a direção do veículo e entrou em um canteiro, à direita. 

Após subir o meio-fio, o carro atingiu José Valentim, e se deslocou pelo gramado, ainda em velocidade, até se chocar com uma árvore e capotar várias vezes, parando próximo à rotatória na entrada da Avenida 29 de Março. José foi arrastado por 20 metros.

O corpo do operário acabou arremessado para a pista, enquanto o veículo seguiu para o lado oposto. Entre os 40 metros que separavam o ponto de colisão e o corpo da vítima, ficaram o boné, sandálias e até mesmo a dentadura que José usava, além de peças do carro e o sapato do taxista. A vítima morreu no local do acidente. Já Muriel sofreu uma lesão na mão e, até o fechamento da edição, seguia no HGE, sem previsão de alta.

Aposentadoria
O operário morava no Bairro da Paz, que fica no lado oposto à pista em que ocorreu o acidente. Segundo familiares, José havia acordado cedo para esperar um amigo na parte onde foi atingido. De lá, os dois iriam ao Alphaville 2, onde José apresentaria o amigo a encarregados de obras com quem trabalhou, como indicação. 

O operário trabalhou por mais de 20 anos na construção civil e estava desempregado há cerca de seis meses. Ele já havia dado entrada no pedido de aposentadoria pelo INSS e aguardava a liberação fazendo bicos como autônomo. “Ele estava lutando há algum tempo para conseguir a aposentadoria. Já tinha contribuído tempo suficiente e resolveu se aposentar. Só faltava regularizar algumas pendências”, explica o filho, Flávio Valentim, 23. José morava com os dois filhos e a mulher.

Comoção
Apesar da presença de um saco com latinhas de alumínio na área do acidente, o que levou populares a acreditarem que a vítima seria catador de materiais recicláveis, a família negou essa versão. “José trabalhou muitos anos de carteira assinada. Ele só estava desempregado. Nunca trabalhou como catador. Aquele saco que estava lá não pertencia a ele”, garante o cunhado, Mario Calmon, 58.

O acidente não causou grande complicação no trânsito. O corpo foi removido por volta das 9h45, em meio a muita emoção dos familiares, que precisaram ser amparados por amigos. A Transalvador informou que, no primeiro momento, não foram constatados indícios de alcoolemia no condutor. O laudo do DPT tem previsão de conclusão em 30 dias. A 12ª Delegacia de Polícia (Itapuã) investiga o caso. Colaborou Clarissa Pacheco.

Acidente com táxi deixou dois mortos no ano passado
Em setembro do ano passado, um caso de atropelamento envolvendo outro táxi também deixou vítimas fatais em Salvador, dessa vez na Avenida Bonocô. O condutor, que não teve o nome revelado, perdeu o controle do veículo e atingiu cinco pessoas em um ponto de ônibus próximo à Casa Eloy, no sentido Iguatemi. Josilda Menezes de Sena Gomes, de 50 anos, e Sidcleia Santos da Silva, 19, não resistiram aos ferimentos. 

Em 2014, pelo menos dois casos de maior gravidade envolveram taxistas. No último dia 4, uma colisão, também na Avenida Paralela, deixou duas pessoas feridas, após um carro de passeio bater contra um táxi e capotar. Em 7 de fevereiro, já na Pituba, duas pessoas se feriram, dessa vez após um táxi bater num veículo. O táxi chegou a pegar fogo, mas as vítimas tiveram apenas ferimentos leves. 

Já em dezembro do ano passado, uma pessoa ficou ferida após uma batida entre um táxi e um carro de passeio, mais uma vez na Pituba. A Gerência de Táxi (Gtxai) da Transalvador não possui estatísticas de acidentes envolvendo taxistas. A frota da capital conta com sete mil veículos

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