Data de Hoje
27 January 2022
Foto reprodução

Como eu sei se preciso de uma cirurgia ortognática? Assista vídeos como ocorrem o procedimento

A cirurgia Ortognática é indicada para casos em que o tratamento ortodôntico somente não é capaz de corrigir certas discrepâncias da maxila e da mandíbula como uma mordida aberta ou um queixo muito pequeno ou grande. Mas quando realmente é necessário fazer esse procedimento? É o que vamos descobrir!

A partir dos resultados encontrados na sua documentação ortodôntica é possível chegar a um diagnóstico e desenhar um plano de tratamento que pode contar com o uso do aparelho, com a cirurgia ou com os dois

A partir dos resultados encontrados na sua documentação ortodôntica é possível chegar a um diagnóstico Foto: hxdbzxy / Shutterstock

 

 

Para começar, é importante dizer que essa cirurgia deve ser realizada por um dentista especializado em Buco Maxilo Facial, a nível hospitalar e com anestesia geral. Normalmente ela é feita por dentro da boca, sendo bem rara às vezes em que é preciso fazer cortes no rosto. Ela consiste basicamente em “soltar” (e depois reposicionar e prender com parafusos de titânio) o maxilar superior, ou o inferior, ou o queixo ou, em casos mais graves, todos eles.

“Há um limite de correção ou camuflagem do problema esquelético em que se pode compensar com a ortodontia. Desta forma, o planejamento do caso deve ser bem feito e bem explicado para o paciente, pois serão dois caminhos distintos de tratamento”, diz a ortodontista Manoela Figueirêdo.

Preciso dessa cirurgia?
Segundo a especialista, a pessoa que costuma precisar dessa cirurgia já percebe que há algo errado com seu sorriso antes do diagnóstico. “Normalmente a pessoa leiga encontra em si algo que não lhe agrada. Pode ser um caso de mordida aberta, prognatismo (mandíbula/maxila muito grandes) ou retrognatismo (mandíbula/maxila muito pequenos) além de dentes apinhados ou tortos”, diz a especialista.

Manoela alerta que se você se identificou com algum dos perfis citados acima, procure um especialista. “O profissional ouvirá sua queixa, examinará clinicamente seu perfil, sua condição odontológica e solicitará sua documentação ortodôntica. A partir dos resultados encontrados nas suas medidas cefalométricas, que são traçadas baseadas nas radiografias/tomografias presentes na documentação, fotografias e avaliações clínicas é possível chegar a um diagnóstico e desenhar um plano de tratamento”, diz a especialista.

   

Este plano, dependendo da gravidade do caso, pode ser resolvido de três formas: somente com ortodontia; ortodontia e cirurgia ortognática ou somente cirurgia ortognática, sendo este último muito difícil de ocorrer.

Aparelho e cirurgia
Quando o plano traçado for aquele que precisa de aparelho e cirurgia, um novo leque de opção será aberto. “Dependendo do caso, o aparelho ortodôntico pode ser usado antes, durante e após a cirurgia. Na verdade, esta é a forma mais tradicional. Quanto melhor executada a ortodontia prévia, maiores serão as chances de sucesso após uma cirurgia bem feita, logo, a segunda parte ortodôntica será breve e de retoques finais”, diz Manoela.

Mas também é possível que o aparelho só seja necessário após a cirurgia, sendo esta conhecida como uma cirurgia com benefício antecipado.  “A idade mínima para um procedimento cirúrgico desta natureza é compatível com o término da fase de crescimento. Assim, haverá uma maior estabilidade no resultado final do tratamento”, diz a especialista.

Sem dor e com hamonia
Embora pareça algo longo e mais complicado, essa combinação de tratamentos que conta com a cirurgia é muito importante para a qualidade de vida do paciente e para a melhoria da sua autoestima uma vez que esse procedimento é capaz de modificar bastante (para melhor) a fisionomia da pessoa, devolvendo-lhe harmonia.

“Muitas vezes o paciente já tem outro problema associado antes da cirurgia/tratamento como desgastes dentários precoces ou perdas ósseas devido à má oclusão dentária. Outro fator que pode ocorrer é o distúrbio temporomandibular (DTM), seja articular ou muscular”, diz a dentista.

Portanto, se você já percebeu que há algo errado com sua mordida, procure um especialista. “O quanto antes esse problema for detectado, seja pelos responsáveis ou pelo próprio paciente, menos riscos de agravamento da situação poderao acontecer”, diz Manoela.

1. O QUE É CIRURGIA BUCO-MAXILO-FACIAL?
É uma especialidade da odontologia responsável pelo diagnóstico e tratamento de patologias (alteração ou problema) da cavidade bucal e das estruturas que se relacionam com ela.

2. O QUE É CIRURGIA ORTOGNÁTICA?
É o conjunto de procedimentos que têm como objetivos corrigir o posicionamento dos ossos maxilares em relação ao restante da face, colocando-os em equilíbrio.

3. QUAIS OS CASOS QUE PODEM SER TRATADOS COM CIRURGIA?
Todos os casos em que for diagnosticada alguma deformidade óssea que inviabilize o tratamento ortodôntico convencional.

4. AS PESSOAS JÁ NASCEM COM ESTES PROBLEMAS? QUAL É SUA ORIGEM?
Não. Apesar das deformidades dento-faciais apresentarem relação com herança genética, a maioria das alterações começam a se desenvolver durante a infância e a adolescência. Algumas alterações, associadas à síndromes já aparecem no recém-nascido. Sua origem é hereditária e pode apresentar influências secundárias,como traumatismos, problemas respiratórios e outros.

5. EM QUE IDADE A CIRURGIA PODE SER FEITA?
A cirurgia pode ser realizada após o pico de crescimento, que ocorre na puberdade ou na menarca, porém é mais comum realizar o procedimento após os 16 anos estendendo-se por toda a vida adulta.

6. A CIRURGIA FAZ CORREÇÕES SOMENTE ESTÉTICAS OU TAMBÉM FUNCIONAIS?
O objetivo da cirurgia é corrigir a oclusão dentária e conseqüentemente permitir melhor função mastigatória, respiratória e articular (a mandíbula apresenta 2 articulações chamadas ATMs), além de corrigir o posicionamento dos maxilares, permitindo o equilíbrio facial.

7. A CIRURGIA É REALIZADA NO CONSULTÓRIO OU NO HOSPITAL?
As cirurgias ortognáticas são realizadas em ambiente hospitalar sob anestesia geral.

8. QUANTO TEMPO DURA A CIRURGIA?
Depende da complexidade de cada caso, variando de 2 à 5h.

9 . EM QUE CASOS A CIRURGIA NÃO É INDICADA?
Em casos onde o diagnóstico não identifica alterações ósseas importantes ou quando o quadro clínico do paciente contra-indica cirurgias sob anestesia geral.

10. A CIRURGIA SUBSTITUI O TRATAMENTO ORTODÔNTICO?
Não. A cirurgia é um recurso que auxilia a correção ortodôntica.

11. OS CASOS DE DEFORMIDADE DOS OSSOS E DA ARCADA DENTÁRIA PODEM SER DETECTADOS NA INFÂNCIA?
Algumas alterações podem ser identificadas já na infância e estas podem ser tratadas precocemente, quando indicadas, com ortopedia funcional dos maxilares.

12. É PRECISO FICAR NO HOSPITAL OU O PACIENTE VAI PARA CASA?
Conforme a extensão da cirurgia, o paciente pode ter alta no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento, dificilmente ultrapassando 24h.

13. COMO É A RECUPERAÇÃO?
A recuperação depende do tipo de cirurgia realizada. Porém não é comum a queixa de dor pelos pacientes. O edema (inchaço) normalmente permanece na primeira semana e regride rapidamente até a terceira semana. Os pacientes não precisam ficar acamados, apenas precisam evitar esforço físico, exposição excessiva ao sol, contato com animais nas 3 primeiras semanas. O retorno às atividades normais( trabalho, escola, vida social) se dá em 25 dias.

14. O PACIENTE PODE COMER EM QUANTO TEMPO?
O paciente nunca deixa de comer, mesmo por que, atualmente, a imobilização dos dentes não ocorre com freqüência. A alimentação após a cirurgia é líquida ou pastosa na primeira semana, aumentando a consistência nas semanas seguintes até o retorno à alimentação normal após 40 dias.

15. OS PLANOS DE SAÚDE COBREM AS CIRURGIA?
Apesar da cirurgia ortognática corrigir problemas funcionais, poucos são os planos que cobrem o procedimento.

16. O PACIENTE FICA COM ALGUMA CICATRIZ OU SEQUELA DA CIRURGIA?
O paciente não apresenta cicatrizes na face, pois as incisões são feitas no interior da cavidade bucal. A única alteração pós-operatória é a parestesia (perda da sensibilidade) do lábio inferior, quando ocorrem procedimentos de movimento mandibular. Esta parestesia é temporária, porém, em raros casos, pode permanecer parcialmente por tempo indeterminado.

17. COMO SABER SE O MEU CASO PRECISA DE CIRURGIA?
O paciente precisa consultar profissionais capacitados ( ortodontista e cirurgião) para que seja diagnosticada a necessidade ou não de tratamento cirúrgico.

18. O FONOAUDIÓLOGO PODE AJUDAR NO TRATAMENTO?
Sim. É recomendável que os pacientes sejam avaliados por um fonoaudiólogo antes e após a cirurgia, pois sua função ajuda na reabilitação funcional e acelera a recuperação do paciente.

19. A CIRURGIA FAZ CORREÇÕES NO MAXILAR (PARTE SUPERIOR DA BOCA) OU NA MANDÍBULA (PARTE INFERIOR DA BOCA)?
A cirurgia pode ser realizada tanto no maxilar quanto na mandíbula, sendo freqüentemente realizada em ambos os ossos. O diagnóstico de cada paciente é que determina o procedimento.

20. DIFICULDADES DE RESPIRAÇÃO, MASTIGAÇÃO E FALA PODEM SER RESOLVIDAS COM CIRURGIA ORTOGNÁTICA?
O objetivo principal da cirurgia ortognática é a correção da oclusão dentária(mordida). Esta correção permite melhoras principalmente na mastigação, mas também na respiração e fala.

21. O QUE É FEITO PARA POSICIONAR CORRETAMENTE OS OSSOS?
Basicamente são realizados cortes ósseos que possibilitam a movimentação dos ossos, seguido da fixação em nova posição através de placas e parafusos de titânio.

Fonte: Saúde Terra

Vídeos do procedimento

https://www.youtube.com/watch?v=c3yMCQqRdd0

Facebook Comments