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28 January 2022

Coronavírus: Brasil ultrapassa a marca de mil mortes confirmadas

O Brasil ultrapassou, nesta sexta-feira, a marca de mil mortes causadas pelo coronavírus. Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, já são 19.638 brasileiros acometidos pela Covid-19 e 1.056 óbitos confirmados. Entre quinta e sexta-feira, houve um aumento de 116 mortes e 1.781 casos da doença.

A milésima morte ocorreu menos de um mês após a confirmação da primeira, em 17 de março. Um homem de 62 anos, diabético e hipertenso, que faleceu em São Paulo, foi a primeira vítima fatal da doença no país. O governo chegou a anunciar que havia ocorrido a morte de uma mulher de 75 anos pela Covid-19 em 25 de janeiro, em Minas Gerais. Entretanto, esse dado foi corrigido pelo Ministério da Saúde. A pasta informou que a referida mulher mineira, na realidade, morreu em 25 de março.
Nesses 25 dias desde a primeira morte no Brasil, a taxa de letalidade da doença chegou a 5,4%Minas Gerais registrou a primeira morte no dia 29 de março. A vítima era uma mulher de 82 anos, que morava em Belo Horizonte e morreu no hospital Biocor, em Nova Lima. No total, o estado tem 698 pessoas contaminadas e já registra 17 mortes.
São Paulo é o estado mais atingido pela doença, com 8.216 ocorrências e 540 mortes, seguido por Rio de Janeiro (2.464 147 óbitos) e Ceará (1.478 e 58 óbitos).

Impacto subestimado

Além de tratar a Covid-19 como “fantasia” da mídia e “gripezinha”, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) subestimou também o impacto que poderia ser causado pelo coronavírus.
No dia 22 março, Bolsonaro afirmou que as mortes causadas pela nova doença não superariam os 796 óbitos ocasionados pela Influenza H1N1 em 2019.
“O número de pessoas que morreram de H1N1 foi mais de 800 pessoas. A previsão é não chegar aí a essa quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus”, disse o presidente em entrevista à TV Record.
O número de mortos por H1N1 foi superado na última quarta-feira, quando as mortes causadas pela Covid-19 chegaram a 800, segundo dados do Ministério da Saúde.
Na mesma entrevista, Bolsonaro voltou a alimentar a guerra política com governadores estaduais e disse novamente que “a mídia” estava enganando a população a respeito do vírus.
“Você não me vê atacando nenhum governador, eles é que me atacam constantemente, fogem de sua responsabilidade e atacam o governo federalBrevemente, o povo saberá que foram enganados por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus”, afirmou

Avanço da doença

Entre quinta e sexta-feira, houve um aumento de 116 mortes 1.781 casos de Covid-19 no Brasil. O Ministério da Saúde prevê que o pico da doença no país deve ser entre o fim de abril e início de maio. Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emilio Ribas, em São Paulo, afirma que esse pico deveria estar acontecendo agora, mas o País conseguiu adiar.
“Essas curvas foram desaceleradas pelas quarentenas e, em paralelo, pela otimização dos hospitais de campanha, com leitos de UTI e aparelhos”, diz o especialista.
O total de infectados pelo coronavírus no mundo já passa de 1,6  milhãoA doença matou mais de 100 mil pessoas em todo o globo. A Itália segue sendo o país mais impactado, com mais de 18 mil mortes. Em seguida, vêm os Estados Unidos, com mais de 17 mil.
O avanço da doença gera preocupação e causou a mudança de hábitos em quase todos os segmentos da sociedade. Ao contrário da praxe jornalística, esta matéria não foi escrita da redação ou do ‘local do fato’, e sim de casa.

Shows musicais foram substituídos por lives, eventos esportivos suspensos sem previsão de retorno, comércio de produtos não essenciais fechado, aulas, sessões políticas e celebrações religiosas realizadas à distância, pela internet.
Hábitos corriqueiros como o de lavar as mãos nunca foram tão enfatizados e valorizados. Pelas ruas de todo o país, cenas nunca antes vistas – ruas e avenidas outrora lotadas e engarrafadas têm pouco movimento. Entre os que desafiam a quarentena, por necessidade ou teimosia, um desfile de pessoas usando máscaras dos mais diversos tipos.
Em rodas de conversa – virtuais – questionamentos, até então difíceis de responder, se repetem: até onde vai a doença? E qual será o saldo nas relações humanas, sociais e comerciais Brasil e no mundo ao fim da pandemia?
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