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2 December 2021

Crescimento de Aedes albopictus influenciou desenvolvimento de tríplice epidemia

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A maioria da população já conhece e reconhece o Aedes aegypti, mosquito transmissor dos vírus da dengue e também chikungunya e zika. As doenças formam atualmente a tríplice epidemia que atinge toda a Bahia. No entanto, o crescimento da população de outra espécie de mosquito, o Aedes albopictus, também tem preocupado autoridades e especialistas, já que também é um dos insetos vetores das enfermidades. “A principal diferença na morfologia encontra-se no tórax dos insetos. No Aedes aegypti há a presença de quatro linhas brancas no dorso do tórax – duas curvadas e duas retas – formando um desenho parecido com uma lira. Já o Aedes albopictus apresenta uma única linha branca no dorso do tórax”, explicou o parasitologista Adriano Monte Alegre em entrevista ao Bahia Notícias. De acordo com o especialista, uma das consequências do crescimento da espécie é o aumento de casos das doenças, já que dois insetos passam a transmiti-las. Além de dengue, chikungunya e zika, o Aedes albopictus também pode transmitir febres amarela, de Mayaro, do Rift Valley, encefalites japonesa, St. Louis, do Nilo Ocidental, entre outras doenças. “O Aedes albopictus tem susceptibilidade quanto à infecção via oral e capacidade de transmissão para vários arbovírus [vírus transmitidos por artrópodes, como os mosquitos]”, disse. A espécie foi identificada no Brasil na segunda metade da década de 1980, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Alguns meses depois, já havia se espalhado por mais de 17 estados. Segundo dados de 2001 do Ministério da Saúde, aproximadamente 30 municípios baianos já estavam infestados pelo Aedes albopictus. “Hoje, certamente, esse número é maior. A espécie encontra condições de crescimento, assim como o Aedes aegypti tem encontrado. Ambas as espécies apresentam ciclo aquático, basta encontrar condições que elas podem se desenvolver. Chuvas associadas a temperaturas mais altas podem promover o crescimento”, afirmou Monte Alegre. Ainda de acordo com o parasitologista, a entrada de novos arbovírus no Brasil por meio de pessoas infectadas pode ter favorecido o aparecimento de novas doenças, como a zika. “Acredita-se que indivíduos positivos para a zika tenham chegado ao Brasil durante o período da Copa, o que propiciou a disseminação da arbovirose através do inseto vetor já existente em nosso território, principalmente o Aedes aegypti”. A Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), junto ao Ministério da Saúde e prefeituras municipais, tem criado planos de ações para combate às enfermidades, principalmente por meio do combate ao mosquito

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