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23 June 2024
Desemprego subiu no país/ Foto reproduçao

Desemprego fica em 9% de agosto a outubro, maior taxa desde 2012

O desemprego subiu no país, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) contínua divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. A taxa ficou em 9% no trimestre encerrado em outubro. O resultado é o mais alto da série, iniciada em 2012. No mesmo período de 2014, o desemprego estava em 6,6%. Já o rendimento real ficou em R$ 1.895, 0,7% a menos do que no trimestre encerrado em julho.

Na comparação com o trimestre anterior, é a décima vez seguida que a taxa de desemprego cresce. Essa sequência de aceleração na desocupação de pessoas a partir dos 14 anos começou no trimestre encerrado em janeiro de 2014. De maio a julho do ano passado, a taxa da pesquisa — que inclui dados para todos os estados brasileiros — foi de 8,6%.

O resultado do trimestre encerrado outubro foi influenciado pelo forte aumento da população desocupada — ou seja, pessoas que estão em busca de emprego, mas não encontram. Esse grupo cresceu 5,3% (ou 455 mil pessoas) em relação ao trimestre encerrado em julho — último comparável, segundo a metodologia do IBGE —, alcançando a marca de 9,1 milhões de desempregados. Em relação ao mesmo trimestre de 2014, a alta foi de 38,3%, um acréscimo de 2,5 milhões de pessoas à fila do desemprego.

O aumento de 38,3% no número de desocupados frente ao ano anterior é o maior de toda a série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Segundo o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, essa alta em outubro é incomum, considerando as variações sazonais normalmente observadas no mercado de trabalho. Normalmente, o desemprego cai no fim do ano, com a contratação de temporários. Isso não ocorreu no fim de 2015.

— Esse comportamento quebra essa sazonalidade. Normalmente. a desocupação sobe em janeiro e cai no fim do ano, em outubro. Se a sequência sazonal fosse seguida, a expectativa era que o número de desocupados caísse — afirma Azeredo.

Enquanto a fila de desempregados cresceu em outubro, o número de ocupados ficou estável em 92,3 milhões de pessoas.

Entre os setores da economia, a piora mais intensa no mercado de trabalho foi observada na indústria. Em um ano, a queda no número de ocupados no segmento foi de 5,6%, o equivalente a 751 mil pessoas. Os setores de informação e atividades financeiras e de outros serviços registraram, ambos, recuo de 4% na comparação com o mesmo trimestre de 2014.

Os destaques positivos foram os segmentos de transporte, armazenamento e correio, com alta anual de 4,6%, e de alojamento e alimentação, que empregou 4,7% a mais que no trimestre encerrado em outubro de 2014.

Em comparação com o trimestre de maio a julho, o número de empregados no setor privado com carteira assinada apresentou um recuo de 1%. Na prática, são 359 mil pessoas a menos com carteira. Em comparação com o mesmo trimestre de 2014, a redução foi ainda maior: 3,2%, o que representa um total de 1,2 milhão de pessoas fora do mercado formal.

Se, por um lado, o número de pessoas com carteira assinada diminuiu, por outro, cresceu o de empregadores e trabalhadores autônomos. Em comparação com o trimestre de maio a julho, foram 5,7% a mais no mercado informal, um aumento de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

RENDIMENTO EM BAIXA

O rendimento médio real de todos os trabalhos foi de R$ 1.895, o mais baixo desde 2012, quando a média foi de R$ 1.837. A inflação é um dos principais fatores que explica essa queda.

Na comparação entre o trimestre encerrado em outubro e o mesmo período de 2014, o rendimento dos trabalhadores por conta própria foi o que mais caiu. A retração foi de 5,2%, para R$ 1.419. A renda do trabalhador doméstico também teve queda significativa, de 2,4%, para apenas R$ 742. O maior rendimento foi o da categoria empregador, que ficou em R$ 4.908 — valor 3,5% menor que o do ano anterior, variação considerada estatisticamente estável.

Inf: O Globo