Diretor é exonerado do presídio de Eunápolis três meses após sofrer atentado
Matéria: Muita informação
autor: Otávio Queiroz
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), exonerou Jorge Magno Alves do cargo de diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, no Extremo-sul do Estado. A medida acontece três meses depois de ele ter sido alvo de um atentado. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado na quinta-feira (28).
Para a vaga, o governador nomeou Fabrizio Gama e Narici como novo diretor da unidade. A publicação também trouxe mudanças no cargo de direção adjunta: Jefferson Oliveira Perfentino da Cruz foi exonerado, e em seu lugar assume Sergio Vinicius Tanure dos Santos.
Histórico recente da gestão
Jorge Magno havia assumido a direção do presídio após a fuga de 16 internos ocorrida em 2024, durante a gestão de Joneuma Silva Neres. Primeira mulher a comandar a unidade, ela deixou o cargo em meio a investigações e, depois foi presa, pelo seu possível envolvimento com facções criminosas e facilitação da ação dos fugitivos.
Apesar do ineditismo de sua nomeação, as apurações revelaram que a penitenciária estava sob forte influência do crime organizado.
Atentado contra o ex-diretor
O episódio mais grave envolvendo Jorge Magno ocorreu em 20 de maio deste ano. Na ocasião, homens encapuzados e fortemente armados interceptaram um veículo utilizado pelo diretor nas proximidades da unidade, na Avenida Alcides Lacerda, no bairro Arisvaldo Reis.
No carro estava apenas um motorista terceirizado, funcionário da empresa Reviver, que presta serviços de cogestão ao sistema prisional. O homem foi atingido, mas, mesmo ferido, conseguiu dirigir por alguns metros e buscar socorro. Ele passou por cirurgia e sobreviveu.
De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), os criminosos usaram fuzis calibres 7,62 mm e 5,56 mm. O atentado motivou uma grande operação de segurança, com participação de cerca de 100 policiais estaduais e federais.
Ligação com crime organizado
As investigações identificaram que o ataque foi orquestrado por Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), vinculada ao Comando Vermelho (CV). Ele também teria sido um dos articuladores da fuga de 2024.
Entre os presos pelo atentado estão José Rubens Alves de Assis Filho, o “Rubão”, e sua companheira, Letícia Rodrigues, detidos em Itapebi. Outro envolvido, Romildo Ramos de Moraes, o “RD”, também foi capturado. Ele tinha ligações com um advogado investigado por colaboração com o grupo criminoso e acumulava cinco mandados de prisão em aberto, incluindo envolvimento em sequestros e homicídios.
Operação em Itabuna
No mesmo dia da exoneração de Jorge Magno, a Seap deflagrou a operação “Molon Labe” no Conjunto Penal de Itabuna. A ação resultou na transferência de quatro internos considerados de alta periculosidade e com forte influência sobre os demais presos.
Além da remoção, a operação realizou revista geral e apreendeu materiais ilícitos. O objetivo, segundo a pasta, é readequar as rotinas administrativas e reforçar a segurança.
O secretário da Seap, José Castro, destacou a integração entre forças estaduais, federais e o Ministério Público. A ação contou com equipes especializadas, como o Grupamento Especializado de Operações Prisionais (GEOP), Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Departamento de Polícia Técnica e grupos do Gaeco e Ficco-Ilhéus.
