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23 October 2021

É possível perceber sinais de que uma pessoa próxima pensa em se matar?

Existem muitos mitos relacionados ao suicídio e o desconhecimento atrapalha a prevenção, assim como tratar o tema como tabu ou pecado. A pessoa que pensa em se suicidar pode estar pedindo ajuda e isso é feito de diversas formas antes que ela acabe por tirar a própria vida. Portanto, é um mito dizer que quem vai se suicidar não diz que vai fazê-lo, dizem os especialistas ouvidos pelo UOL.

“Uma pessoa que pensa em se matar faz algum comentário com alguém próximo, diz que não está aguentando, que está cansado”, diz Teng Chei Tung, psiquiatra da Universidade de São Paulo. “Também começa a preparar bens pessoais para distribuir, por exemplo. O mais importante a desconfiar é o discurso de falta de esperança.”

De modo geral é possível notar mudanças no padrão de comportamento. Pode haver isolamento social, ou mesmo haver menção a ideias de por fim à vida. Mas isso nem sempre é levado a sério, destaca o professor Neury Botega, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). “Quando se pensa em suicídio, devemos considerar que “cão que ladra, morde”. É incorreto pensar tão somente que a pessoa que ameaça só quer chamar a atenção. Isso pode ser até uma dimensão, mas não a totalidade do comportamento.”

Valor do desabafo

Alexandrina Meleiro, professora da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora da Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, ressalta que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 70% das pessoas se sentem aliviadas quando compartilham pensamentos e desejos suicidas.

“Tem-se a impressão de que falar de suicídio vai incentivar a pessoa a se suicidar, mas não, a pessoa vai se sentir confortável em verbalizar o que está pensando e não tem coragem de dividir com alguém. Ao receberem ajuda, geralmente acabam desistindo de se suicidar” Alexandrina Meleiro, professora da USP 

No Brasil, o Rio Grande do Sul é o Estado com maior taxa de suicídios, e após a tragédia da boate Kiss, os atendimentos no CVV (Centro de Valorização da Vida) duplicaram, conta Jorge Brandão, um dos fundadores do CVV de Santa Maria. Mas o número de suicídios caiu de 23 para 18, segundo jornal Diário de Santa Maria. Isso indica que falar sobre o tema pode ajudar a pessoa a mudar de ideia.

“Nosso trabalho é atender sem preconceito, respeitar a dor, que é única, sem fazer comparações ou dar conselhos, estamos lá para a pessoa desabafar, conversar”, diz Brandão. “O importante é ouvir a pessoa, sem interromper, sem comparar, encarar com atenção. Ter tempo para o outro está cada dia mais raro.”

Em setembro, mês da prevenção mundial ao suicídio, a ligação para o CVV no Rio Grande do Sul (número 188) passou a ser gratuita como um projeto que pode ser ampliado para o país (número 141). Atualmente, a pessoa paga pela ligação. O serviço também atende via

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