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24 September 2021

Edílson teria usado fama para fraudar loterias, aponta investigação

O ex-jogador Edilson, campeão da Copa do Mundo de 2002, teria usado de seu prestígio para lucrar com fraudes em loterias federais. Isso é o que aponta o resultado de dez meses de investigações realizadas pela Polícia Federal e o Ministério Público. Com base nessa apuração, foi deflagrada nesta quinta-feira (10) a Operação Desventura, que já prendeu ao menos nove pessoas. Edílson não foi preso. Sua defesa nega seu envolvimento em fraudes.

Edílson foi conduzido nesta manhã a prestar depoimento à Polícia Federal por seu suposto envolvimento no esquema de fraudes a loterias. Agentes da PF estiveram na casa do ex-jogador, em Salvador, onde apreenderam a pedido da Justiça o disco rígido de um computador pessoal do Capetinha, como ele era apelidado durante sua época jogando futebol. A apreensão foi confirmada pelo próprio advogado de Edílson, Thiago Phileto.

Em entrevista ao UOL Esporte, o procurador da República Helio Telho, membro do MPF responsável pela Operação Desventura, não citou o nome de Edílson. Confirmou só que um ex-jogador de futebol é, sim, suspeito de integrar a quadrilha investigada. Segundo ele, há indícios claros da participação desse jogador no esquema criminoso. Segundo apuração do UOL Esporte, esse jogador é Edílson.

“Esse ex-jogador tinha a função de aliciar gerentes da Caixa que ajudavam a quadrilha a receber prêmios da loteria não sacados por apostadores”, descreveu Telho. “Até pela fama dele, devido ao seu prestígio, o jogador conseguia conversar com gerentes e convencê-los a integrar o esquema.”

De acordo com o procurador, a quadrilha procurava gerentes da Caixa para que eles facilitassem o saque dos prêmios. Telho disse que o MPF e a Polícia Federal ainda estão apurando se bilhetes falsos eram usados na retirada dos valores. Para ele, contudo, não há dúvidas sobre a participação do tal ex-jogador nas fraudes.

Telho, aliás, chegou a solicitar à Justiça a prisão temporária de Edílson por causa da materialidade das provas colhidas contra ele. O pedido, porém, foi negado pelo juiz federal Leão Aparecido Alves, da 11ª Vara Federal de Goiânia, que só autorizou busca e apreensão de provas na casa do ex-jogador da seleção brasileira.

“Só pedimos a prisão de quem tínhamos provas que a justificassem”, explicou. “Quem é suspeito de liderar a quadrilha teve a prisão preventiva solicitada. Para quem é integrante do esquema, mas é líder, o pedido foi de prisão temporária.”

 

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