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29 January 2022

Educadora com câncer é agredida na rua ao ser confundida com homossexual

A educadora Deborah Lourenço, de 31 anos, foi agredida verbalmente após ser confundida com uma pessoa homossexual no Centro do Rio de Janeiro (RJ). O fato ocorreu durante a manhã deste sábado (24). Revoltado, o marido dela, Jorge Lourenço, escreveu um relato no Facebook e a postagem viralizou na rede social.

Deborah passa por tratamento contra um câncer de mama, descoberto em fevereiro deste ano, e voltava de uma sessão de radioterapia quando se viu em meio a uma série de ataques. A educadora e sua mãe decidiram tomar um café na avenida Presidente Vargas, por volta das 8h30, e enfrentaram dificuldades para estacionar em uma vaga estreita.

Para auxiliar a mãe, que estava ao volante, Deborah saiu do carro e passou a orientá-la. Neste momento, um guardador de carros irregular apareceu e pediu para educadora pagá-lo pela vaga. “Eu me neguei, já que era o outro cara que estava nos ajudando a estacionar”, disse Deborah ao BHAZ.

Neste momento, a educadora foi empurrada, ameaçada e xingada de “veado de merda” pelo homem que se irritou com a negativa de um pagamento. “Acho que por eu estar careca, ele achou que eu era lésbica ou transexual. Eu fiquei em choque na hora, muito surpresa”, relata. Por causa da quimioterapia, realizada na primeira parte do tratamento contra o câncer, os cabelos de Deborah caíram.

Jorge Lourenço e Deborah Lourenço (Facebook/Reprodução)

Deborah conta que o ataque durou pouco menos de 30 segundos. O homem partiu para cima da educadora, mas o guardador de carros que estava ajudando sua mãe a estacionar, interviu na situação. As duas conseguiram entrar no carro e foram embora.

O autor das agressões não foi identificado. “Foi tudo muito rápido, nem consigo me lembrar direito do rosto dele. Não fiz boletim de ocorrência ainda, estou vendo como prosseguir”, conta.

A educadora diz que ficou chocada com a audácia do homem. “Eu fiquei sem entender, de verdade. Eu não sou lésbica, nem transsexual. Mas, e se eu fosse? Com que direito alguém pode vir te agredir pela sua orientação sexual?”, completa.

‘Mimimi’?

No relato que viralizou no Facebook, o marido de Deborah aponta a força do discurso de ódio. “Infelizmente, vivo no meio de gente imbecil que relativiza machismo, homofobia e transfobia. Que ainda fala de ‘mimimi’, que ainda fala que o Brasil é sim um país tolerante. Homens inseguros ou fundamentalistas religiosos que normalizam o discurso de ódio, o tipo de coisa que permite imbecilidades como essa continuarem se repetindo por aí. De novo e de novo”, escreveu Jorge Lourenço, de 31 anos.

O marido de Deborah ainda faz um alerta. “Não se engane você não, que é cis-hétero normativo e imagina que a onda de ódio que certos políticos e pastores pregam nunca vai chegar até você, seus parentes ou seus amigos”.

Um susto

Nos comentários da postagem, a carioca diz que foi apenas um susto. “Ele não chegou a me machucar e eu tratei de sair de perto rapidinho para não dar chance”, desabafou. O tratamento da educadora está previsto para terminar no dia 3 de dezembro. A partir daí, ela fará acompanhamentos periódicos e uma cirurgia para reconstrução da mama.

A carioca fez uma postagem sobre o ocorrido em seu Instagram pessoal. Na legenda da foto, ela aponta os dois lados da cidade do Rio de Janeiro.

“O Rio é essa cidade linda onde tem café da manhã na Cavé com mamãe ao som de um coral com roupas de época. O Rio também é essa cidade dura onde um estranho me empurra, xinga ‘viad* de m*rda’ e faz que vai me bater antes de ser impedido pelo guardador de carros cedinho de manhã. O Rio eu amo e eu lamento”, escreveu.

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