
Entre a cruz e a espada: oposição na Assembleia Legislativa está entre fortalecer Otto ou ficar na mão de Nilo
A oposição está entre a cruz e a espada em relação à eleição para a Assembleia Legislativa da Bahia. Contrária a reeleição, a bancada oposicionista sairá mal na foto se apoiar o atual Presidente Marcelo Nilo, que tenta a reeleição pela sexta vez. Mas se apoiar o candidato do PSD, Ângelo Coronel, a bancada estará cacifando o Senador Otto Alencar, hoje uma das principais lideranças políticas do Estado e peça fundamental na eleição de 2018.
O cenário é nebuloso. Se a oposição apoiar Nilo e ele vencer a eleição, o resultado vai aparecer como uma derrota do Senador Otto Alencar, enfraquecendo sua liderança. Além disso, esse cenário pode gerar a divisão da base aliada do governador Rui Costa, já que a disputa entre Nilo e Otto tomou ares de disputa de adversários, com um criticando o outro.
O problema para a oposição é que nesse filme, o final é conhecido: fortalecido, Nilo vai viabilizar todas as demandas do governador Rui Costa e articular sua candidatura a Senador, na chapa que terá Jaques Wagner como outro candidato. Com esse cenário, a oposição ganha os cargos na mesa diretora e as benesses tradicionais, mas politicamente fica com pouco, ou nada.
O outro cenário, no qual a oposição apoia o candidato Ângelo Coronel, é politicamente mais interessante, mas o resultado é que o Senador Otto Alencar sairá ainda mais forte da disputa e controlará a Assembleia, aumentando ainda mais seu cacife nas eleições de 2018.
Politicamente, esse quadro beneficia a oposição, já que Nilo não perdoará o senador pela derrota, dividindo a base aliada e abrindo assim perspectivas para acabar com a tranquilidade do governador Rui Costa na Assembleia.
Num quadro como esse, o Prefeito ACM Neto, que lidera a oposição, prefere esperar, mas não pode esperar muito, para não ficar no pior dos mundos, sem participar da Mesa Diretora e deixando a oposição com cara de tucano: em cima do muro.
