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31 July 2021
Jovem relatou nas redes sociais ter sofrido ato homofóbico dentro da sala de aula (Foto: Divulgação)

Estudante denuncia homofobia dentro da Unijorge – paralela

A dor da rejeição familiar que atinge a comunidade LGBTs serviu como alicerce de inspiração para o arquiteto e urbanista em formação Jether Felipe Gama, 23 anos, acadêmico da UNIJORGE – Salvador, campus Paralela, desenvolver seu trabalho de conclusão de curso. Jether como muitos outros também deve ter sofrido, por isso, após pesquisas projetou “o Lar de Todas as Cores”, mas com o titulo “Casa de Acolhimento LGBT +”, um local de acolhimento, proteção e resguardo para todos que foram expulsos, agredidos e humilhados dentro de seu primeiro lar.

No entanto, nos últimos meses, esse jovem carrega consigo mais uma dor, dessa vez causada por uma professora da UNIJORGE – Paralela que, ao invés de orienta-lo, preferiu colocar o véu do preconceito ao proferir de voz alta e debochada a frase “casa de viadinhos” na presença de todos os outros acadêmicos da sala de aula que sempre teve o viés de formar cidadãos capazes de conviver com a diferença e diversidade, mas foi palco para um ato de homofobia.

Homofobia mata uma pessoa a cada 25 horas no Brasil, conforme publicação do jornal O Globo de 24/01/2017. Para o juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível do Rio de Janeiro, homofobia é ‘epidemia no Brasil’ como reportado pelo jornal Estadão em 17/01/2017. Talvez o magistrado tenha tido professores com conceitos mais humanos diferente da professora da UNIJORGE – Paralela que futuramente vai colocar no mercado de trabalho arquitetos e urbanistas.

Na expectativa de conseguir apoio de outros docentes, Jether denunciou o caso a coordenação, dando origem a um processo interno. Por vontade própria, Jether escolheu se afastar da disciplina ministrada pela docente. “Optei em me afastar da turma por não me sentir mais confortável ser orientado por ela”, relata. Enquanto o processo está em andamento, a professora continua ministrando aulas, tendo apenas sido advertida pela instituição. Jether está sendo orientado por outro docente.

Foto divulgação- Um grupo de estudantes sensíveis à causa de Jether e de muitos outros está realizando rodas de debates e manifestos dentro da UNIJORGE

Diferente da inércia institucional, um grupo de estudantes sensíveis à causa de Jether e de muitos outros está realizando rodas de debates e manifestos dentro da UNIJORGE – Paralela para não deixar o tema cair no abismo do esquecimento. Cartazes chegaram a ser fixados nos murais da instituição, mas foram retirados em seguida por sujeito não identificado. Jether não conseguiu dar sequência ao trabalho. “Tudo isso contribuiu para que eu não conseguisse finalizar o trabalho nesse semestre. O que atrasará minha formação em pelo menos mais um semestre”, concluiu.

O “x” utilizado no decorrer dessa matéria foi para mostrar a diversidade existente entre discentes, docentes e na sociedade, mas não muito dentro da UNIJORGE – Paralela que em peças publicitarias diz ser “Todas”. Essa campanha da universidade passa distante da ideia revolucionária e critica do escritor baiano que abalou os bons costumes do século passado ao publicar os livros “Dona Flor e seus Dois Maridos”, “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água” e “Gabriela, Cravo e Canela”.

Por: Pedro Moraes- Click Notícias

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