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19 September 2021
Fernando Aparecido saindo da audiência em 2008 (Foto: Antônio Saturnino)

Ex-bispos envolvidos na morte de Lucas Terra irão a júri popular

Lucas Terra foi estuprado e queimado vivo em 2001 (Foto: Reprodução)

Lucas Terra foi estuprado e queimado vivo em 2001
(Foto: Reprodução)

Os ex-bispos da Igreja Universal do Reino de Deus, Fernando Aparecido da Silva e Joel Miranda – acusados pelo ex-pastor Silvio Roberto Galiza de participação no assassinato do menino Lucas Terra, irão a júri popular. A decisão foi tomada durante o julgamento do Recurso de Apelação da família do garoto na manhã desta quinta-feira (10).

Em novembro de 2013, a juíza Jelzi Almeida havia inocentado os ex-bispos. Ela julgou que não foram detectados indícios suficientes de autoria ou participação dos dois no crime e que as provas acusavam apenas o ex-pastor Silvo Galiza, já preso e condenado a 18 anos em regime fechado por ter estuprado e assassinado o garoto.

“Minha família não aceitou essa decisão monocrática. Nós entramos com recurso no Tribunal contra a decisão dessa juíza. Desembargadores vão julgar se mantém o julgamento ou se levam eles para o banco dos réus”, disse Carlos Terra, pai de Lucas, antes da audiência de hoje. “Hoje o meu advogado mostrou que existem provas e indícios suficientes de que eles cometeram o assassinato com Galiza”, comemorou Carlos.

A audiência começou às 8h30 e durou cerca de 2h30, com a participação de três desembargadores, o advogado de defesa dos ex-bispos e da acusação, representado por Daniel Keller.

“O Tribunal entendeu, por unanimidade, reformar a decisão de primeiro grau e pronunciar ou seja remeter a júri popular o pastor Joel o pastor Fernando. Nós conseguimos a vitória do recurso”, explicou Keller.

Ainda de acordo com Keller, Fernando e Joel aguardarão o julgamento em liberdade. “A defesa deles ainda pode tentar algo para ganhar tempo, mas a Justiça já pode agendar o julgamento imediatamente”, completou.

Mesmo com a possibilidade da defesa dos réus conseguir recorrer da decisão, Carlos se mantém firme e confiante. “Eles vão tentar em todas as instâncias e utilizar as brechas da lei. Infelizmente a legislação protege o assassino e pune a vítima. Mas eu tenho absoluta certeza que os desembargadores, que são pessoas dignas e não têm medo do poder econômico, novamente nos darão vitória”.

“Como pai, estou me sentindo muito recompensando com essa sentença. Foram 14 anos que vivi feliz com a presença do Lucas e agora 14 anos de luta para que haja justiça. No dia 21 de outubro ele completaria 28 anos”, lamenta Terra.

Relembre o caso

O adolescente Lucas Terra, 14 anos, foi abusado sexualmente e queimado vivo pelo ex-pastor, Silvio Roberto Galiza em março de 2001. O corpo do adolescente foi encontrado carbonizado em um terreno abandonado na avenida Vasco da Gama.  O crime chocou membros da igreja Universal na época.

Carlos Terra aponta como motivo para o crime o fato de seu filho ter flagrado os dois pastores fazendo sexo, como afirmou em depoimento o ex-pastor Galiza, dado depois da condenação. “Ele falou que meu filho foi morto porque viu, sem querer, os bispos fazendo sexo dentro da igreja”, explica o pai.

Por Kivia Souza/Correio
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