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10 May 2021
Soldados e agentes de combate ao Aedes aegypti definem estratégia de trabalho (Foto: Evandro Veiga/Correio)

Exército inicia ‘guerra’ contra o Aedes e visitam casas em Salvador

No primeiro dia, 55 militares estavam nas ruas no combate ao mosquito

Enquanto boa parte da cidade comemorava, ontem, a festa para Iemanjá no Rio Vermelho, soldados do Exército adentravam em um casarão no Corredor da Vitória. A operação de guerra, que envolveu dez militares, tinha como alvo um inimigo perigosíssimo: o mosquito Aedes aegypti.

Acompanhados de agentes de endemias da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) vestidos com máscaras e trajes de proteção, a cena lembrava a implantação de uma quarentena. Mas era apenas uma ação conjunta entre a SMS e a 6ª Região Militar, responsável pela capital.

Imóvel é visitado por homens do Exército e agentes de endemias no Corredor da Vitória: se estivesse fechado, entrada poderia ter sido forçada (Foto: Evandro Veiga/Correio)

Imóvel é visitado por homens do Exército e agentes de endemias no Corredor da Vitória: se estivesse fechado, entrada poderia ter sido forçada (Foto: Evandro Veiga/Correio)

Um grupo de 110 soldados vai acompanhar agentes da SMS na visita a residências, orientando a população e combatendo os focos de proliferação do inseto. A campanha, iniciada ontem, vai até junho.

O casarão, ao lado do Solar Cunha Guedes, parecia abandonado. Em sua parte externa, havia muito lixo, potencial criadouro de mosquitos. Os agentes de endemias aplicaram larvicida em locais onde havia depósitos e vasilhames que retêm água de chuva.

O casarão pertence à família Cunha Guedes, segundo a administradora do Solar, Anucha Cunha Guedes. “Às vezes, usamos para carga e descarga”, explicou. Segundo ela, o lixo no casarão era resultado de uma festa do cerimonial que funciona no solar. “O caminhão de lixo não passa todo dia. Vamos contratar um serviço de coleta diário”, justificou ela.

No primeiro dia, 55 militares estavam nas ruas no combate ao mosquito. Eles foram distribuídos nos bairros que lideraram o número de denúncias da Central de Combate ao Aedes. Os outros 55 ficaram realizando o mesmo trabalho em áreas do Exército. Romilda Mendes, 35, que trabalha perto do casarão, aprovou a iniciativa.

“Acho interessante o Exército ajudar. Pode ser por causa desse casarão que todo mundo aqui pegou zika”, citou. Os 110 militares foram treinados por técnicos do Centro de Controle de Zoonoses. O curso durou dois dias e teve partes teórica e prática.

Nesta última, os soldados percorreram o batalhão à procura de criadouros e foram ensinados como eliminá-los. Até junho, 55 soldados vão às ruas todos os dias, inclusive no Carnaval. “Trabalhamos em esquema de rodízio. Todos os dias, metade do grupo vai às ruas. Mesmo no Carnaval, até porque o mosquito não para”, afirmou o major Cristiano Guimarães, que comanda a operação.

De máscara e traje especial, agente busca focos de proliferação do mosquito da dengue (Foto: Evandro Veiga/Correio)

De máscara e traje especial, agente busca focos de proliferação do mosquito da dengue (Foto: Evandro Veiga/Correio)

A medida, solicitada pelo prefeito ACM Neto, no dia 14, segue na mesma linha do governo federal. Uma ação conjunta entre os ministérios da Saúde e Defesa pretende colocar 220 mil militares nas ruas — eles devem distribuir panfletos e orientar a população sobre o zika.

A Marinha disponibilizou 1,8 mil militares na Bahia, enquanto o Exército vai usar 3 mil na Bahia e Sergipe. Entre 15 e 18 de fevereiro, um efetivo menor deverá realizar o mesmo trabalho que os 110 de Salvador já estão fazendo.

As ações chegam em momento de crise nacional e alarme internacional. Além do aumento de casos de dengue, zika e chikungunya, a descoberta da ligação do zika vírus com a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré chamou a atenção da Organização Mundial de Saúde (OMS), que declarou, anteontem, emergência mundial em saúde pública.

Por aqui, a presidente Dilma assinou, no dia último 29, uma medida provisória que autoriza a entrada forçada de agentes em imóveis, o que não foi necessário nos locais visitados ontem.

Por Correio
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