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16 January 2022

Facção OP Ordem e Progresso da liberdade e acusada de manda mata percussionista

Moradores do bairro da Liberdade acreditam que o assassinato do percussionista Maílson Oliveira, 25 anos, teve a participação do chefe de uma facção que atua na região. Ao CORREIO, e pedindo para manter o anonimato, contaram que a morte teria sido determinada por Coruja, que comanda a facção OP [Ordem e Progresso]. A polícia, que investiga o caso, porém, não confirma a versão até o momento.

“Ele estava namorando com uma menina da Santa Mônica (área dominada por uma facção rival) e acabava indo lá sempre. Acharam que ele estava levando e trazendo informações, mas ele não se metia com essas coisas”, disse um conhecido de Maílson.

Outro fato que não teria agradado ao comandante do grupo foi uma foto postada em redes sociais de Maílson ao lado de um homem identificado como integrante na facção do outro bairro. “O menino foi fazer show em algum bairro, um fã pediu a foto, ele fez e foi morto”, opina outro morador.

O corpo de Mailson, conhecido popularmente no bairro com Payta, foi sepultado neste sábado, 24, no cemitério da Quinta dos Lázaros, sob forte comoção de amigos e familiares, que usaram camisas com uma foto dele.

Mailson era percussionista da banda A Invasão. Ele deixa duas filhas, uma de 5 e outra de 2 anos. Caçula de três filhos, Payta tinha a música como paixão.

Além da atuação na  banda, ele ministrava aulas de percussão em escolas da rede pública. “Ele estava empolgado porque iria comprar um carro. Já estava se preparando”, conta o pai, Maurício Silva de Souza. Craque da percussão e das quatro linhas, Payta era conhecido também pela técnica apurada no futebol. Quando adolescente, passou em teste do Bahia e foi convidado para jogar no Cruzeiro e no Milan, da Itália. “Insistiram para ele ir, mas o sonho dele era ser músico. Agora, o sonho foi interrompido por um  ato brutal. Levaram meu caçulinha”, lamenta o pai.

Seu Maurício lembrou as qualidades do filho caçula (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

“Era um homem íntegro, que amava a vida, as filhas, os amigos, a família e a  música. Estava sempre de bem com a vida, falava com todo mundo” (Maurício Silva de Souza, pai de Mailson)

Um amigo de infância lembra que Mailson fazia “sucesso entre as meninas na  escola”:  “As meninas adoravam ele. Era gente boa, sorridente, boa pinta. Nasceu banhado em mel e virado para a lua”.

Segundo conhecidos, Payta tinha perfil tranquilo e calmo, e não se metia em brigas. “Ele era pacificador, passava longe de briga. Não era de confusão, não tinha inimigo. Era um homem exemplar”, disse um amigo.

Mailson foi assassinado na noite de sexta-feira, 23, a poucos metros de casa, na 1ª Travessa Juazeiro, na Avenida Peixe, bairro da Liberdade. O caso é investigado pela Polícia Civil, que não informou se há autoria ou motivação do crime identificadas. A suspeita é que os autores tenham fugido de moto. Não há informações sobre testemunhas. “Quem viu fingiu que não viu”, diz um morador do bairro.

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