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20 September 2021

Futuro incerto para ambulantes remanejados da Lapa

Quem passa pela Estação da Lapa tem o costume de fazer aquela “boquinha” com os vendedores ambulantes que ali comercializam seus produtos, desde um simples copo de água mineral até um churrasquinho preparado na chapa. No entanto, esse costume pode estar com os dias contados por causa da revitalização da estação de transbordo.

Quando as obras de melhorias começaram, em fevereiro de 2015, alguns ambulantes foram redirecionados para outros terminais de ônibus como o da Barroquinha.  Agora, com a nova Lapa o ambulante Francisco está com receio de não retornar mais para seu antigo local de trabalho de onde tirava o sustento da família composta por três filhos e sua esposa.

Ambulante Francisco - Foto: Mara Silvany/ Click Notícias

Ambulante Francisco – Foto: Mara Silvany/ Click Notícias

“Fui transferido para Barroquinha no começo das obras, mas o movimento lá é muito fraco, tanto que abri minha barraca apenas uma vez, pois tive prejuízo. Agora, estou vendendo água mineral e salgadinhos nos ônibus para levar o sustento para casa”, declarou.

Em média, Francisco consegue uma renda inferior a R$ 20 por dia e com esse dinheiro precisa pagar as contas de casa e os cursos dos filhos.

“No dia, consigo vender R$ 15. Com esse dinheiro tenho que arcar com água e luz, e, dois dos três filhos que tenho fazem cursos e tiro daqui o dinheiro do transporte, lanche e mensalidade. Tá difícil. Espero retornar logo para cá (Lapa)”, concluiu.

Entre as pessoas que costumam passar pela estação, encontramos a promotora Silvia, que diz não ver tanta diferença na Lapa.

Promotora Silvia Foto Mara Silvany/ Click Notícias

Promotora Silvia Foto Mara Silvany/ Click Notícias

“Isso aqui não mudou muito. Ônibus demora e a estética é quase a mesma, mas pelo menos colocaram esses bancos para que a gente sofra menos enquanto espera pelo ônibus”, criticou.

O custo inicial das obras seria de R$ 13 milhões, entretanto, após diversos incrementos para melhorias de funcionalidade, as obras custaram R$ 20 milhões. O secretário de mobilidade urbana, Fábio Mota argumenta que esse valor estava dentro do previsto.

O secretário de mobilidade urbana, Fábio Mota- Foto Mara Silvany/ Click Notícias

O secretário de mobilidade urbana, Fábio Mota – Foto Mara Silvany/Click Notícias

“A prefeitura não gastou nada com essa reforma, entregamos nas mãos da iniciativa privada que se responsabilizará pela estação por 35 anos. O aumento no valor foi porque precisamos comprar novas escadas rolantes e equipamentos mais modernos”, justificou.

A equipe do Click Notícias fez uma rápida vistoria na estação e encontrou uma verdadeira cachoeira na entrada dos sanitários no subsolo. A água que jorrava não estava atingindo a rede elétrica exporta no local.

 

Por Pedro Moraes/ Click Notícias
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