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26 July 2021

Gilmar Mendes decide e TSE absolve chapa Dilma-Temer

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes rebateu as críticas ao julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do qual é presidente, e defendeu a decisão da Corte de absolver Dilma Rousseff e Michel Temer. Em entrevista a Mônica Bergamo, da “Folha de São Paulo”, ele negou que o resultado tenha sido político e garantiu que deliberação diferente lançaria o país “em um quadro de incógnita”.

“Não cabe ao juiz ficar banalizando a impugnação de mandatos. Mas estamos vivendo em um ambiente conturbado. E o que se queria? Que o TSE resolvesse uma questão política delicada (a crise do governo)”, respondeu Gilmar, ao negar a influência do elemento político no julgamento.

O ministro ainda ressaltou que o papel dos juízes era, muitas vezes, decidir de forma contrária à visão majoritária e desagradar a vox populi (voz popular) e a voz da mídia. Se as contemplasse sempre, disse o presidente do TSE, “seria melhor extinguir a Justiça e criar um sistema de ‘Big Brother’ para ouvir o povo e a imprensa”.

“Eu sei que é fácil nadar a favor da corrente. E sei quão é difícil nadar contra a corrente. No caso do julgamento do TSE, nós decidimos bem ao não envolver a Justiça num processo de natureza estritamente política (…) Queriam que o tribunal decidisse essa questão política, lançando o país em um quadro de incógnita”, argumentou Gilmar.

O presidente do TSE alfinetou o que chamou de “constrangimento” do relator em citar nominalmente a ré Dilma Rousseff. “Talvez porque ele tenha sido nomeado pelo PT e não queria falar disto. E é até uma pergunta válida, né? Qual teria sido o posicionamento desses ministros (Herman e Rosa Weber, também indicada na gestão do PT) se estivesse presente ali (a possibilidade de se cassar) a Dilma?”, questionou. 

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