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31 July 2021

Governo quer ‘intervenção indireta’ no futebol

Governo quer ‘intervenção indireta’ no futebol

A presidente Dilma Rousseff defendeu em entrevista que foi ao ar nesta quinta-feira (10), pela emissora americana CNN uma "renovação" no futebol brasileiro e criticou o fato de o País exportar seus craques. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, foi além e falou em "intervenção indireta" na organização da modalidade, algo que mexeria também nas gestões dos clubes e no calendário. Apesar de a "modernização da estrutura do futebol" já estar na agenda de Dilma e do PT desde antes da acachapante derrota do Brasil para a Alemanha na terça-feira (8), o governo decidiu recorrer ao tema a fim de minimizar eventuais prejuízos eleitorais diante da eliminação do time nacional na Copa do Mundo. Além disso, o Palácio do Planalto tenta separar a administração do torneio, considerada um sucesso, do desempenho da seleção em campo na semifinal. No Rio, o ministro do Esporte mirou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Rejeitou a ideia de que a entidade tenha autonomia para fazer o que quiser sem participação estatal. "Claro que podemos fazer algo na CBF", afirmou Aldo. A Fifa proíbe que governos promovam intervenção nas federações nacionais, sob a ameaça de expulsar o país das Copas. Mas o governo acredita que tem espaço para agir. "Eu sempre defendi que o Estado não fosse excluído por completo do futebol. É uma intervenção indireta", disse o ministro, segundo quem há áreas de "interesse público" e uma mudança pode alcançar até mesmo a CBF. "A Lei Pelé tirou do Estado qualquer tipo de poder de atribuição e poder de intervenção. Ela determinou a prática do esporte como algo privado, atribuição do mundo privado, e isso só pode ser modificado se a legislação também for modificada", disse o ministro de Dilma, referindo-se à legislação aprovada no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele disse que o governo não quer nomear cartolas. "Mas o Estado não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte. Dirigentes passaram a administrar o futebol sem qualquer atuação do Estado. Queremos retomar algum tipo de protagonismo no esporte. Não para indicar interventor. Mas para preservar o interesse nacional e o interesse público", afirmou.

Por Jamil Chade, Ronald Lincoln Jr., Cláudia Trevisan e Ricardo Galhardo

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