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21 October 2021

Israel permitirá interrogatórios mais duros a judeus suspeitos de propagar violência

Gabinete de segurança aprovou no domingo prisão de cidadãos israelenses suspeitos sem direito a julgamento

TEL AVIV — O governo israelense permitirá interrogatórios mais duros a judeus suspeitos de propagarem violência contra palestinos e, possivelmente, deixará a polícia agir com força contra os detidos, informou o ministro do Interior nesta segunda-feira. O anúncio ocorre dias depois da morte de um bebê em um suposto ataque de ultranacionalistas, em um caso que repercutiu no exterior e fez o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometer ações contra atos terroristas.

Em meio às buscas pelos responsáveis pelo incêndio criminoso de sexta-feira contra uma casa palestina, o gabinete de segurança aprovou no domingo a prisão de cidadãos israelenses suspeitos sem direito a julgamento. A prática, chamada “detenção administrativa”, antes era reservada a palestinos.

— Qualquer ação realizada contra terroristas palestinos deve ser feita com terroristas judeus — disse o ministro da Segurança Interior, Gilad Erdan.

Segundo um comunicado do governo, a medida pretende “dar os passos necessários para levar os responsáveis à Justiça e prevenir novos ataques no futuro”. Após o incêndio criminoso que matou um bebê de 18 meses na sexta-feira, Netanyahu ficou sob crescente pressão para reprimir grupos judeus de extrema-direita. Os pais do bebê e o irmão, de 4 anos, ficaram gravemente feridos no ataque na localidade de Duma, na Cisjordânia.

Ninguém assumiu responsabilidade pelo atentado, mas uma mensagem com a palavra “vingança” em hebraico na parede liga o crime a episódios passados de vandalismo e outros crimes de ódio promovidos por jovens fanáticos judeus que perseguem árabes, cristãos, ativistas pela paz ou propriedades do Exército israelense. O gabinete classificou o incêndio de “ataque terrorista sob todos os aspectos”.

PRESIDENTE AMEAÇADO

Nesta segunda-feira, a polícia israelense abriu uma investigação sobre as ameaças publicadas em redes sociais contra o presidente do país, Reuven Rivlin, que condenou o “terrorismo judeu” depois do incêndio. Na ocasião, Rivlin postou em seu Facebook um texto, em árabe e hebraico, intitulado “Mais que vergonha, sinto dor”.

“A dor do assassinato de um pequeno bebê, a dor de ver meu povo escolher o caminho do terrorismo e perder sua humanidade”, escreveu ele sobre o ataque.

A iniciativa não foi bem vista por várias pessoas, que criticaram o presidente. Entre os mais de 2.000 comentários no texto, muitos o tacharam de “taidor”.

“Traidor sujo. Teu final será pior que o de Ariel Sharon (o ex-premier israelense morto depois de passar 8 anos em coma)”, ameaçou um usuário.

Um ativista de extrema-direita matou em 1995 Isaac Rabin, o premiê na ocasião, durante uma concentração a favor da paz em Tel Aviv. A ação ocorreu depois de uma violenta campanha da direita contra os acordos de Oslo, assinados dois anos antes com os palestinos.

Por: O Globo / com Agências Internacionais

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