Itamaraty: servidor que ateou fogo em trans faz acordo e processo é extinto
Adefesa do servidor do Itamaraty Anderson Felype de Souza Caxeta, 33 anos, firmou acordo, no valor de R$ 30 mil, para extinção do processo movido pela transexual Renata Ribeiro Marques, 24. Ele é acusado de jogar álcool e atear fogo a Renata, que trabalha como garota de programa.
O caso aconteceu em junho deste ano e foi alvo de investigação da 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília). Após conclusão das apurações, o inquérito foi encaminhado pela Polícia Civil do DF (PCDF) ao 1º Juizado Especial Criminal de Brasília.
À época dos fatos, a PCDF indiciou Anderson por vias de fato. Com o acordo, o processo foi arquivado pelo Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT).
Em junho, o Metrópoles entrevistou Renata. A mulher afirmou que o servidor teria tentado “mantê-la em cárcere privado”.
“Nunca tinha chegado a ser agredida. Foi a terceira vez em que fiz programa com ele. Ele não queria me deixar ir embora, queria me manter em cárcere”, disse.
A vítima contou ter cobrado um valor a mais de Anderson pelo tempo em que passaria no local. O homem, no entanto, teria se recusado a pagar a quantia.
“Nessa hora, quando estava terminando de me vestir, ele jogou álcool em gel nas minhas costas e botou fogo. Cheguei a pensar, por um momento, que morreria porque não conseguia apagar o fogo. Tenho pesadelos até hoje com isso”, descreveu.
Ferida (foto em destaque), a mulher foi encaminhada ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran) – referência no tratamento de queimados na capital federal.
Veja imagens das lesões:

Reprodução

Renata sofreu ferimentos após servidor do Itamaty jogar álcool em gel e atear fogo em seu corpoImagem cedida ao Metrópoles

Ferimentos nas costas e pescoço da garota de programaImagem cedida ao Metrópoles
Renata foi atendida no Hran, referência no tratamento de queimados no DFImagem cedida ao Metrópoles
Procurado pelo Metrópoles, Anderson não quis dar entrevista à época dos fatos. Por mensagem, o servidor negou ter hostilizado Renata depois de ela ter se recusado a fazer o programa, mas não entrou em detalhes quanto às agressões.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que Anderson é analista em tecnologia da informação do quadro do Ministério da Economia e estava em exercício descentralizado no Ministério das Relações Exteriores. “Esclarecemos que o Ministério das Relações Exteriores não foi informado dos eventos narrados”, disse o Itamaraty.
