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1 December 2021
Foto: Reprodução

Jaques Wagner vai assumir Casa Civil com missão de debelar a crise

A troca de Wagner pelo atual ocupante da pasta, Aloizio Mercadante, foi informada pela presidente à cúpula do PMDB pela manhã. Antes, Dilma já havia acertado com Mercadante sua transferência para o Ministério da Educação, pasta que ele já comandou e que atualmente é chefiada pelo filósofo Renato Janine Ribeiro, nomeado para o cargo em abril deste ano.

A troca na Casa Civil atende a pressões do PMDB e do ex-presidente Lula, que enxergam em Mercadante um fator desagregador para o Palácio do Planalto. Para ambos, sua permanência no cargo contribuía para agravar a crise política que ameaça consumir a governabilidade.

Segundo líderes peemedebistas, a troca de Mercadante por Wagner, defendida por Lula desde a montagem da nova equipe de Dilma, vai atender principalmente o PT, mesmo que a legenda perca ministérios na reforma prevista para ser anunciada hoje. A explicação para o paradoxo está no perfil do futuro ocupante da Casa Civil.

Trânsito

Além do apoio incondicional de Lula e da proximidade com a presidente, Wagner tem melhor trânsito dentro do PT do que Mercadante. Ao mesmo tempo em que encampa a defesa do governo, consegue dialogar com a ala petista insatisfeita com as políticas de ajuste fiscal.

Ao ser confrontado com os escândalos de corrupção envolvendo o PT, costuma repetir que “existem os santos e os diabos em todos os partidos”. Ao falar sobre economia, afirma que não acredita nem em liberdade total ao mercado nem em intervencionismo exacerbado do Estado.

Wagner também goza de um retrospecto favorável em momentos de extrema dificuldade. Há cerca de dez anos, auge do mensalão no primeiro governo Lula, assumiu a articulação política do Planalto e teve papel crucial para debelar a crise. A seu favor, pesa ainda seu perfil conciliador. O que lhe rendeu fama ao transitar bem no PT, partidos aliados e a oposição.

Assediado pela imprensa, ontem, Wagner negou convite para assumir o novo posto do Planalto, mas se posicionou como autêntico chefe da casa Civil. O que inclui projeções sobre o modelo futuro da articulação política do governo Dilma após a reforma administrativa e ministerial.

Após participar de audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Wagner foi diplomático. Primeiro, disse que não recusará uma nova missão no governo. Em seguida, elogiou Mercadante. Por fim, deixou nas entrelinhas sua ida para a Casa Civil.

“Como tenho essa fama de adepto do diálogo, e as pessoas acham que há dificuldades nessa área, as pessoas acham que eu posso contribuir. Mas não acredito em ninguém que seja solucionador isolado”, afirmou.

Segundo Wagner, a articulação política com o Congresso deverá ficar por conta de uma “Secretaria de Governo”. As atribuições da Casa Civil e da atual Secretaria de Relações Institucionais terão funções diferenciadas para “azeitar a relação”, antecipou o ministro. “Não pode ter duas ou três cabeças fazendo a mesma negociação. Acaba que não funciona. No dito popular, quando muita mão mexe no feijão, acaba não dando bom resultado”, afirmou.

Trocas

Enquanto as mudanças na Casa Civil repercutiam na imprensa e redes sociais, a dança de cadeiras no Planalto ganhava contornos oficiais. No início da noite, o Ministério da Educação confirmou, em nota, a saída de Renato Janine do cargo responsável por levar adiante a “Pátria Educadora” prometida por Dilma na posse. Em seu lugar, assume Mercadante, o terceiro na pasta em menos de dez meses.

Com a ida de Jaques Wagner para a casa Civil, o cotado para assumir o Ministério da Defesa é o atual ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rabelo. Por sua vez, a realocação abre outro espaço na Esplanada. Nesse caso, há duas hipóteses.

Uma é usar a vaga para atrair o PSB de volta à base, o que inicialmente foi rejeitado pelos cardeais do partido. A segunda, mais provável, é dar o cargo para o PMDB, que também ficou com a Saúde. O nome forte para o lugar de Aldo é o do deputado Celso Pansera (RJ).

Lula pede a petistas que aceitem perdas para ajudar governo Dilma

Com o PT ameaçado de perder espaço no governo após a reforma ministerial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com a executiva nacional do partido ontem e pediu aos dirigentes petistas que aceitem a perda de ministérios e cargos do primeiro escalão para ajudar a presidente Dilma Rousseff a enfrentar a crise política.

No encontro, que ocorreu na sede do Diretório Nacional do PT, em São Paulo, Lula afirmou que a reforma é necessária para garantir governabilidade à presidente. No entanto, disse que “Dilma fez agora o que deveria ter feito em novembro”, após se reeleger, segundo relataram participantes do encontro.

O ex-presidente disse aos aliados que Dilma e o PT precisam vender para a sociedade a ideia de que as mudanças no Ministério não foram feitas para evitar a abertura de um processo de impeachment contra a presidente no Congresso, mas para ajudar o país a superar a crise econômica que atravessa.

Na ocasião, membros da executiva reforçaram a insatisfação com a política econômica e a necessidade de transformá-la para atender à base social petista. O ex-presidente concordou com as críticas e sugeriu alternativas como o aumento de linhas de crédito do BNDES para financiar investimentos em construção civil, serviços e setores que poderiam reativar o consumo e a recuperação da economia.

Petistas relataram que Lula pediu aos integrantes da executiva nacional que se assumam como dirigentes da sigla viajando o Brasil, “de barco, de ônibus, de moto”. 

Por Informe 1
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