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6 December 2021

Lobato, Fazenda coutos e Valéria teve maior índice de homicídios este ano

Valéria e Fazenda Coutos já registraram 31 homicídios este ano

Valéria é, neste momento, o quinto bairro com mais registros de homicídios este ano em Salvador, atrás apenas de Lobato

Os bairros de Valéria e Fazenda Coutos registraram, juntos, 31 homicídios este ano, até a noite desta sexta-feira (7). De acordo com boletins diários publicados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) em seu site, foram 22 homicídios em Valéria (cinco deles especificamente na localidade de Nova Brasília de Valéria) e nove em Fazenda Coutos.

Com esses números, Valéria é, neste momento, o quinto bairro com mais registros de homicídios este ano em Salvador, atrás apenas de Lobato (29), Paripe (28), Cajazeiras (26) e São Cristóvão (25). Os dois bairros têm, juntos, 50.465 habitantes, de acordo com dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Valéria vivem 26.210 habitantes e, em Fazenda Coutos, 24.255.

 

Operação ocupa o bairro por tempo indeterminado em resposta a crimes

A polícia matou seis pessoas e deteve 13 durante uma operação nos bairros de Valéria e Fazenda Coutos, na manhã de ontem. Cerca de 300 policiais civis e militares participaram da ação, que começou por volta das 3h

 

A operação durou o dia inteiro, e a área continuará ocupada nos próximos dias pela PM, informou o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), José Alves de Bezerra. “A ocupação será mantida hoje (ontem) e durante todo o fim de semana. Iniciou sem prazo para ser concluída”, afirmou o diretor.

Segundo a Polícia Civil, o objetivo é prender traficantes envolvidos com homicídios nos dois bairros. Entre eles, os responsáveis pela chacina, em Nova Brasília de Valéria, no último dia 26 de julho, que resultou nas mortes do sargento Osvaldo Costa Filho, 49 anos, e do filho dele, Railander da Silva Conceição, 24 anos, além de outras duas pessoas.

Segundo a polícia, dois dos mortos em supostos confrontos, ontem, tinham mandado de prisão pela chacina: Jorge Lucas Santos da Cruz, 23 anos, e Lucinei Cardoso Barbosa, o Pinha ou Gago, 34.

Os outros três mortos identificados são: Marcos Santos de Jesus, 24, José Márcio Cardoso de Jesus, 19, e Hugo Leonardo Farias dos Santos. A Polícia Civil informou, no final da tarde, que eles “estão sendo pesquisados para confirmar a existência de mandados de prisão e de processos criminais, uma vez que podem ter homônimos”. O sexto morto não foi identificado até as 19h de ontem.

Entre as nove pessoas detidas para averiguação até as 10h estavam duas mulheres e um adolescente de 16 anos, que foi apreendido em casa, enquanto dormia. A mãe do jovem entrou em desespero e precisou ser amparada pelos amigos (veja ao lado). Outras quatro pessoas foram conduzidas à tarde. No total, nove tiveram mandados de prisão cumpridos, segundo balanço da Polícia Civil, que não soube informar se o adolescente permaneceu apreendido. Também foram expedidos dez mandados de busca e apreensão.

Além das mortes e prisões, a polícia apreendeu seis armas, drogas e balanças de precisão, ambas em quantidade não revelada.

Confrontos

Segundo policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar, duas das mortes aconteceram, por volta das 6h, em supostos confrontos na localidade do Iraque. A dupla teria reagido ao ser presa, e trocou tiros com policiais da Rondas Especiais (Rondesp/BTS). Eles eram suspeitos de expulsar moradores da região da Lagoa da Paixão para transformar o local em um ponto de tráfico.

Já os outros quatro suspeitos foram mortos em outro suposto confronto, também na localidade do Iraque, algumas horas após o primeiro. O grupo estava atrás da fábrica da Tidelli quando reagiu à voz de prisão por policiais militares.

Ainda de acordo com a PM, eles tentaram fugir por um matagal e foram perseguidos por policiais do Bope, da Polícia Civil e por um helicóptero do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer), que monitorou a tentativa de fuga. Houve confronto, os suspeitos foram baleados e socorridos para o Hospital do Subúrbio, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.

Com esse grupo foram apreendidos R$ 1 mil, uma pistola de calibre 40, dois revólveres de calibre 38, um revólver calibre 32, uma quantidade de crack e aparelhos de som roubados de veículos. Lucas está entre os suspeitos mortos durante o segundo confronto, assim como Pinha.

Ocupação

Policiais usando máscaras brucutus e armas pesadas circularam durante todo o dia pelo bairro, entrando em casas e revistando moradores.

A ocupação gerou desespero entre os moradores e muitas reclamações com relação à ação dos policiais . “Eles chegaram empurrando e batendo na porta de quem não tinha nada a ver. Duas vizinhas que não têm envolvimento com nada foram prejudicadas”, disse um homem, que mora na Lagoa da Paixão há cinco anos.

No meio da operação, algumas pessoas choravam pelas ruas da Lagoa da Paixão, localidade de Valéria onde ficou estacionada a delegacia móvel da Polícia Civil.

A mãe de um adolescente apreendido, a dona de casa Jucélia da Silva, disse que o filho estava dormindo quando foi detido e que estava sendo acusado injustamente. “Estão acusando ele de um homicídio que não cometeu. As pessoas aqui sabem quem foi que fez e não dizem, ficam acusando meu filho”, disse ela.

O irmão do adolescente também questiona a participação do irmão no homicídio. “Se fosse ele que tivesse matado, ele estaria aqui ainda? É claro que ele ia ter fugido”, disse. A família ficou inconsolável com a prisão do rapaz e a dona de casa Jucélia precisou ser amparada por vizinhos e familiares.

Outro jovem detido assistia à TV quando os policiais chegaram. “Ele estava dentro de casa comigo, assistindo televisão com os irmãos e pegaram ele. Tiraram ele de casa para pedir informações sobre outras pessoas da área”, contou a mãe do rapaz, a dona de casa Maricelia Santos de Oliveira. Segundo ela, o filho já tinha passagem pela polícia por porte ilegal de arma e foi detido para passar por averiguação.

A região permanecerá ocupada no fim de semana. “A polícia vai permanecer na área nesses próximos dias para realizar a manutenção da ordem, e não há previsão de quando vai sair”, confirmou o comandante da 19ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Paripe), major Elson Pereira.

Participaram da operação equipes da Rondesp, Bope, Esquadrão Águia, 19ª CIPM, 18ª CIPM (Periperi) e 31ª CIPM (Valéria), da PM, Polícia Rodoviária Estadual (PRE), além do DHPP e Draco, da Civil

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