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25 September 2021

Lutadora brasileira é punida por fotografar rival nua em seletiva olímpica

A lutadora brasileira Rafaela Araújo, 25, foi punida nesta sexta-feira (11) pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) do taekwondo. Candidata a representar o país na categoria até 57kg dos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro, ela recebeu uma suspensão por ter fotografado uma rival sem roupas, mas a pena foi convertida em advertência.

A conversão é importantíssima porque mantém a chance de Rafaela estar nos Jogos. Se precisasse cumprir a suspensão, a lutadora não poderia participar da seletiva do Brasil para a Rio-2016, de 18 a 20 de março, em Vitória (ES).

“Concluído o processo de julgamento, ela foi suspensa, mas a suspensão foi convertida em advertência pelo STJD. Ela está liberada”, confirmou ao UOL Esporte Alexandre Lima, diretor-técnico da CBTKD (Confederação Brasileira de Taekwondo).

O episódio que levou Rafaela ao STJD aconteceu na primeira seletiva aberta do taekwondo brasileiro, em dezembro do ano passado, em João Pessoa. A lutadora não precisou participar da disputa por ser titular da seleção, mas viajou à capital paraibana para acompanhar os duelos.

Em João Pessoa, segundo denúncia feita pela lutadora Paloma Lima, Rafaela entrou em um espaço reservado a árbitros e atletas que estavam competindo. A área era utilizada para pesagem oficial da competição.

Paloma, que compete normalmente na categoria até 67kg, teve de cortar dez quilos para disputar a seletiva na categoria de Rafaela. Por isso, fez a pesagem sem roupa. Rafaela, que estava na mesma sala, apontou o celular para ela.

“Eu perguntei: ‘Você vai tirar foto, mesmo?’. Ela disse que estava tentando tirar foto da balança, mas de onde ela estava não dava para pegar a balança sem me fotografar pelada. A árbitra pediu umas cinco vezes para ela abaixar o celular ou sair da sala, mas ela dizia que não ia sair”, relatou Paloma ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

A defesa de Rafaela sustentou que a lutadora foi ao espaço apenas para acompanhar a pesagem e que fez isso porque não há transparência no processo. Ela estava sentada em uma pia quando fez as fotos e teria tentado apenas registrar o que a balança mostrava. A atleta entrou na seletiva a partir da segunda etapa, em janeiro, e obteve classificação para a fase final da apuração das vagas olímpicas.

“Na realidade, nós não conversamos a esse respeito. Ainda vamos acertar, mas os atletas falam muitas coisas sem medir as consequências. Quando ela fala algo a esse respeito, põe em xeque todo um processo que é feito”, ponderou Alexandre. “Os atletas podem chegar a ficar nus, e por isso não se pode ter um vestiário aberto ou se permitir fotografias ou celulares. Qualquer um dentro do mesmo gênero pode assistir ou acompanhar. Ela mesmo alegou que acompanhou a pesagem de vários atletas, e aí eu não sei que falta de transparência é essa”, completou.

 

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