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6 August 2021
Foto repprodução

Manifestantes bloquearam o trânsito e os ônibus não sobem até a Lapa

Os ônibus estão circulando normalmente na manhã desta sexta-feira (10) em Salvador. Segundo a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), os coletivos estão nas ruas desde às primeiras horas do dia. O fluxo está normal nas principais vias, assim como nas estações de transbordo da capital, exceto na região da Lapa, onde acontece uma manifestação da centrais sindicais desde às 6h.

Um grupo com cerca de 40 pessoas bloqueou o trânsito na rotatória entre o Dique do Tororó e a Lapa. Eles estão impedindo que os coletivos com destino à Lapa entrem na estação. Os carros particulares que trafegam na região também estão parados no congestionamento. Segundo representantes dos sindicatos que participam do protesto o bloqueio ficará no local até às 10h.

Em seguida, o grupo irá para o Campo Grande, onde haverá outro ato e uma caminhada em direção ao Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA), e à sede da Previdência Social. O protesto faz parte da mobilização convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em vários setores contra medidas do governo do presidente Michel Temer.

Trânsito
Por conta do protesto, o trânsito ficou congestionado no Vale dos Barris, Dique do Tororó sentido Lapa e vias do bairro de Nazaré. Para reduzir os impactos causados pelo protesto, a Transalvador realiza operação especial de desvio de tráfego.

Equipes de trânsito desviaram o tráfego nas proximidades da Arena Fonte Nova e na Av. Vasco da Gama, no acesso à Praça João Mangabeira (Rótula dos Barris). Veículos têm como rotas alternativas seguir da Vasco da Gama para a Av. Anita Garibaldi, Vale do Canela, Mário Leal Ferreira (Bonocô) e Comércio.

Dezenas de carros e onisciente que passavam pelo local foram impedidos de passar. Motoristas tentaram furar as barreiras e, revoltados, alguns chegaram a se desentender com os sindicalistas.

Foi o caso do empresário Carlos Paixão, 55 anos, que pretendia chegar ao trabalho, na região da Avenida Centenário. “É um absurdo, eu não consigo acreditar nisso. Eu querendo trabalhar e esses preguiçosos fazendo algazarra. Se isso aí adiantasse alguma coisa o país estaria arrumado”, defendeu.

A manhã também foi de transtorno para a doméstica Carla Silva, 30, que precisou descer do ônibus no local e andar até o Garcia, onde trabalha. “Não acredito que vou ter que ir andando. Mas, sinceramente, se é pro nosso bem, bem dos trabalhadores, eu apoio. Vai ser uma paletadinha, mas pior é não me aposentar nunca”, disse ao CORREIO.

Assim como Carla, dezenas de pedestres desceram dos vários ônibus enfileirados na região. Foi o caso da secretaria Lúcia Costa, 25. “Eu não aguento mais essas palhaçadas, deve ser a terceira vez, só esse ano, que não consigo chegar no trabalho. Acho um absurdo, não concordo mesmo” afirmou.

Para Lúcia, que trabalha na Barra, o jeito foi ir de mototaxi. “Agora vou ter que gastar um dinheiro que nem tenho pra chegar no trabalho. Mesmo assim, tive que tirar foto pra poder mostrar aos chefes”, revela.

Quem também teve o carro impedido de passar foi o agente de trânsito Pedro Paulo de Matos, 54 anos. Segundo ele, protestar é a única maneira de mudar. “Não tem outro jeito. A gente fica chegado porque, para mim, deveria haver uma lei federal que garantisse a livre passagem em pelo menos uma via. Mas protestar é um direito constitucional, sem protesto, não tem mudança”, argumentou.

“A reforma trabalhista é uma perda irreparável para os trabalhadores. Não para mim, que tenho meu emprego garantido até o final da vida, mas para a maior parte do país. Se o objetivo é chamar atenção, é natural que pare tudo mesmo”, concluiu.

A diarista Diná Maria dos Santos, 44, saiu de casa, no bairro de Nova Brasília, por volta de 5h30, com destino ao trabalho, na Graça. Ela deveria chegar lá às 7h, mas às 6h30 o ônibus em que estava também foi impedido de seguir viagem. “Eu não sou contra o protesto, mas eu já tenho tantos gastos. Para eles, que já bateram cartão, tudo certo. Ganharam um dia. Mas e eu, que se não trabalhar não recebo”, ponderou. Segundo ela, falta comunicação entre manifestantes e população. “Se a briga é por nós, pobres e trabalhadores, não tínhamos que ser pegos de surpresa. A gente precisa entender os caminhos deste protesto e os resultados dele. E hoje, o que vai ser de mim, fico aqui ao Deus dará a até que horas?”, questionou.

O técnico em enfermagem Márcio Gomes, 29, também foi um dos pedestres que precisou caminhar para tentar chegar ao trabalho. “Tem duas horas que saí de casa, no Retiro, e ainda estou aqui. Sorte que trabalho relativamente perto, consigo ir andando. Isso precisa ser revisto, virou graça agora esse tipo de intervenção. E a gente não pode fazer nada só lamentar”, disse ele, que trabalha em uma clínica no bairro do Canela. Para  Márcio, os ônibus não deveriam aderir à paralisação. “Eles sempre falam que não vão participar, e sempre participam. Porque sabem que só eles conseguem parar a cidade e aí a gente fica refém disso”, desabafou.

O vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Fábio Primo, confirmou ao CORREIO na manhã de hoje que os ônibus estão circulando normalmente pela cidade, mas que representantes da categoria estariam no protesto na Lapa.

Sindicatos de todo os país foram convocados para aderir à mobilização no Dia Nacional de Paralisações, organizada pela própria CUT. Na Bahia, a manifestação vai reunir diferentes categorias profissionais, que podem paralisar totalmente as atividades ou aderir parcialmente à manifestação. Dia de paralisações
Os trabalhadores que aderirem ao movimento vão cruzar os braços no início da manhã, por volta das 7h. No final da manhã, parte deles deve sair do Campo Grande, em direção ao Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA), e à sede da Previdência Social, ambos no bairro do Comércio.

Segundo os organizadores do movimento, ele tem como objetivo protestar contra retrocessos do governo Michel Temer. Eles citam a reforma trabalhista, que entra em vigor neste sábado (11), além das mudanças planejadas para a Previdência, em análise no Congresso, e o decreto publicado pelo Ministério do Trabalho que modifica a definição de trabalho escravo e deixa nas mãos do ministro a inclusão de empresas na “lista suja” daquelas que desrespeitam os direitos trabalhistas.

A expectativa, segundo os sindicalistas, é que o ato reúna cerca de 50 mil trabalhadores e estudantes.

Veja a lista com algumas das atividades e serviços que podem deixar de funcionar na manhã desta sexta-feira.

Trabalhadores

Posicionamento

Professores municipais, estaduais e federais

participam da paralisação

Vigilantes

participam da paralisação

Metalúrgicos

participam da paralisação

Comerciários

participam da paralisação

Correios

participam da paralisação

Petroleiros

participam da paralisação

Aeroviários

participam da paralisação

Policiais Civis

participam da paralisação

 Eletricitários

participam da paralisação

Rodoviários de Salvador

não devem aderir à paralisação

Rodoviários das Regiões Metropolitanas

não devem aderir à paralisação

Trabalhadores da área de limpeza urbana

participam da paralisação

Bancários participam da paralisação até às 12h
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