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17 June 2024
Foto reprodução Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Manipulação? Eduardo Cunha pode se livrar da cassação; entenda

Presidente afastado Eduardo Cunha (PMDB) nomeia aliados para manipular CCJ manda líder do PR trocar deputados em comissão para tentar mudar regimento da Câmara que pode livrá-lo da cassação.

Continua com a mesma prática, manipulando seus aliados na Casa para tentar escapar da cassação. A estratégia desta quarta-feira (8) envolveu a substituição de dois deputados do PR na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para garantir votos que permitam a aprovação de uma alteração regimental. A mudança prevê proibir o plenário de aprovar uma punição mais dura que a proposta no relatório alternativo apresentado no Conselho de Ética e que pede apenas a suspensão de três meses para Cunha.

O líder do Partido da República, Aelton Freitas (MG), atendeu a uma ordem de Cunha e substituiu dois titulares da Comissão de Constituição e Justiça que tinham revelado voto contra a aprovação da mudança no regimento que favorece Cunha. Sem qualquer aviso prévio, na manhã desta quarta-feira o líder do PR substituiu os deputados Jorginho Melo (SC) e Paulo Feijó (RJ) na CCJ. Os dois foram trocados, respectivamente, por Laerte Bessa (PR-DF) e Wellington Roberto (PR-PB), dois conhecidos defensores de Cunha.

Bessa e Wellington, suplentes na CCJ, recebem ordens de Cunha. E já declararam apoio à mudança no regimento que favorece o presidente afastado. A dupla de parlamentares também faz parte do Conselho de Ética.

PROTESTO CONTRA A MEDIDA TOMADA POR CUNHA:

Os deputados Jorginho Mello e Feijó denunciaram a manobra. Mas nada podem fazer porque o regimento da Câmara prevê que o líder pode substituir os membros da bancada em qualquer comissão permanente a qualquer tempo. Mesmo sem combinar com os colegas.

Deputados de outros partidos também estranharam a troca de membros da CCJ. “Nunca vi uma situação como essa. Há algo lá e nós sabemos o que é e cheira mal”, disse o deputado Experidião Amin (PP-SC). O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) também protestou. “O plenário tem que decidir de forma soberana”, disse. Em discurso no plenário, o deputado Julio Delgado (PSB-MG) previu a desmoralização da Câmara se esta manobra for feita.

A consulta à CCJ sobre a mudança o regimento foi feito pelo presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), e o relator escolhido foi Arthur Lyra (PSC-AL). Os dois são aliados de Cunha e seguem suas ordens. O presidente da comissão, Osmar Serraglio (PMDB-PR), também aliado de Cunha e indicado por ele para o cargo, facilitou a apresentação da consulta e nomeou Lyra, escolhido pelo presidente suspenso, como relator.

A elaboração do parecer prevendo a mudança no regimento da Câmara e apresentado por Lyra foi elaborado no gabinete da liderança do Solidariedade, partido dirigido por Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), e um dos generais de Cunha na Casa. A reunião da CCJ foi suspensa e não há outra reunião prevista. A cassação ou não de Eduardo Cunha passou a ser, cinco meses depois, em dois colegiados da Câmara.

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