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13 June 2021

Mauro Ricardo 'colocou na mesa' que poderia trocar Embasa por serviço privado, diz presidente

Mauro Ricardo 'colocou na mesa' que poderia trocar Embasa por serviço privado, diz presidente

Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias

 
O presidente da Empresa Baiana de Águas e Saneamento, Abelardo Oliveira Filho, confirmou ao Bahia Notícias que o secretário da Fazenda de Salvador, Mauro Ricardo Costa, enviado pelo prefeito ACM Neto (DEM) para negociar o contrato de concessão, foi o responsável por cobrar R$ 1,8 bilhão – valor considerado "exorbitante" pela Embasa – para renovar o acordo. Em visita à redação do BN nesta terça-feira (11), o dirigente revelou que o titular da Sefaz deixou claro que poderia firmar convênio com uma organização privada. "O recado foi esse. Eu tive algumas informações de que já tem algumas empresas que estão interessadas. É claro que são informações que eu não posso dizer se são verdadeiras, mas inclusive isso foi colocado na mesa de negociação pelo secretário da Fazenda, Mauro Ricardo. O Mauro Ricardo colocou isso: 'olha, a proposta é essa. Se vocês não aceitarem, o prefeito quer continuar com a Embasa, mas…'", descreveu Abelardo. Nos bastidores, a tese de ruptura do pacto já inclui postulantes a ocupar o espaço após uma suposta saída da Embasa. A Foz, do grupo Odebrecht, apontada como uma das maiores colaboradoras nas campanhas do DEM, viria a adquirir a cota companhia na capital baiana por R$ 2 bilhões. "Eu ouvi falar isso. Eu não posso comprovar porque me disseram isso… É um grupo que já tentou privatizar", ponderou o presidente, sobre a tentativa de cessão da estatal à iniciativa privada em 1999, no governo Paulo Souto. "A gente fica com a pulga atrás da orelha, porque tínhamos negociado um número e aí depois vem o novo prefeito e pede a soma de R$ 1,8 bilhão. A Embasa não pode fazer isso. Quem é que pode pagar?”, indagou o gestor.



Foto: Max Haack/ Agecom

Segundo Oliveira, a quantia representa o total de uma série de exigências feitas pela prefeitura para a renovação do contrato que, após a aprovação da Lei de Saneamento, já expirado. “Eram R$ 400 milhões, mais 6,5% ao mês da receita da Embasa, mais 3,1% que representam as contas vencidas e a vencer, mais investimento de 11% da receita. Na hora em que você somava tudo isso aí, dava R$ 1,8 bilhão. A gente discutiu e eles até baixaram um pouco, mas está realmente impraticável”, afirma. Para ele, como apenas 15 municípios são rentáveis ao sistema, sobretudo a capital, a Embasa corre riscos se perder o convênio com a prefeitura. “Eu acho que a Embasa, sem Salvador, não consegue cumprir em sua missão. E essa história de que se está dando muito dinheiro para o município é natural, porque os grandes investimentos foram feitos aqui”, avalia. A hipótese de que a prefeitura teria o objetivo de inviabilizar a atuação da Embasa para que ela seja privatizada foi levantada pelo governador Jaques Wagner e corroborada pelo líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) Zé Neto (PT),

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