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2 December 2021

Minotauro anuncia aposentadoria e assume cargo de embaixador do UFC

Uma das maiores lendas do MMA, o baiano Antonio Rodrigo Nogueira, o Minotauro, anunciou sua aposentadoria. Campeão no Pride e detentor de um cinturão interino no UFC, um dos lutadores mais vitoriosos do país confirmou sua retirada nesta terça-feira, no Rio de Janeiro. Aos 39 anos, ele não resistiu a três derrotas seguidas no Ultimate, mas não deixa a organização. Pelo contrário. Ganhou uma função nova: será embaixador de relacionamento com atletas do UFC.

“Giovani (Decker, presidente do UFC no Brasil), por meio de muitas ligações, me deu essa vontade de continuar no UFC. Conversamos muito e passei a entender melhor as coisas. O Dana White também mostrou essa vontade durante uma conversa após a minha última luta. Agradeço demais o apoio dessas pessoas que são donas do maior evento do nosso esporte”, afirmou Minotauro, em entrevista coletiva.

Minotauro explicou que as limitações físicas foram fundamentais para a decisão de se aposentar do MMA.

“Entre 1999 e 2008, fui sempre primeiro, segundo ou terceiro do ranking. Em 2008, senti o corpo começar a reclamar. Em 2009, identificamos que era um problema de quadril. Faço fisioterapia até hoje. E ainda tive outras inúmeras lesões. O corpo reclama. Não consegui mais ter o desempenho físico de antes. São dores que tenho até hoje. Isso acaba pesando. Seguirei correndo, pedalando, mas para o campo de luta e treinamento não dava mais. Desde 2011, o Dana falava para eu parar. Eu ainda tentei, mas não dava. E entendi que o UFC estava falando para o meu bem, por carinho mesmo. Então resolvi parar”.

A lenda do MMA trabalhará como uma espécie de ligação da organização entre atletas, patrocinadores, mídia e órgãos governamentais.

“Eu creio que tenho uma grande visão para esses talentos. Trouxe inúmeros talentos e creio que farei ainda mais. Foi assim com o Junior Cigano, com o Erick Silva. Virão muito mais lutadores por aí. Na minha academia, já conseguia isso. Agora, com a estrutura do UFC, a coisa cresce. Estou feliz, pela minha história e pelo novo desafio. Quero fazer um grande trabalho. Estamos numa troca de gerações e espero ajudar nesse momento fundamental para o esporte”, explicou Minotauro, que também é dono da academia “Team Nogueira”, ao lado do irmão Rogério Minotouro.

Presidente do UFC, Dana White se mostrou empolgado para a nova fase de Minotauro dentro da organização. “Minotauro é uma lenda no MMA. Ele é respeitado por lutadores e fãs por todo o mundo. Tem sido uma honra assisti-lo competir e estou feliz pela sua aposentadoria. Ele será um trunfo enorme para o UFC, atletas e para o esporte como embaixador.  Mal posso esperar para trabalhar com ele nesse novo capítulo de sua vida”.

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Minotauro é golpeado por Stefan Struve em sua derrota por pontos no UFC 190, no Rio (Alexandre Loureiro/Inovafoto/UFC)

Protagonista de combates memoráveis contra nomes como Randy Couture, Bob Sapp e Fedor Emelianenko, Minotauro fecha sua carreira com 34 vitórias, dez derrotas, um empate e um no contest (luta sem resultado). Sua última vitória havia sido em 2012, contra Dave Herman, e em seguida ele sofreu derrotas para Fabrício Werdum, Roy Nelson e Stefan Struve. A pedidos até do UFC, descartou fazer mais um combate, como planejava.

A carreira de Minota

Rodrigo Nogueira – e seu irmão Rogério, o Minotouro – construíram carreiras marcantes desde os tempos de vale-tudo. Os gêmeos são de Vitória da Conquista, e o mais pesado deles, Minotauro, teve um evento na infância que definiu seu futuro. Ele foi atropelado por um caminhão em um acidente gravíssimo que o deixou por quatro dias em coma e quase um ano no hospital – uma marca nas suas costas permanece até hoje lembrando do ocorrido.

Mais tarde, a dupla desbravou o mundo da luta. A carreira de Minotauro começou em 1999, já nos Estados Unidos. As primeiras conquistas vieram no Rings: King of Kings – assim como a primeira derrota, para Dan Henderson.

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Duelo entre Bob Sapp e Rodrigo Minotauro, no Pride, já virou até pintura, pelo artista Brad Utterstrom (Reprodução/ Bradutterstrom)

Duelo entre Bob Sapp e Rodrigo Minotauro, no Pride, já virou até pintura, pelo artista Brad Utterstrom (Reprodução/ Bradutterstrom)

Ele virou um ídolo, de fato, por suas performances no Pride. Reverenciado pelos japoneses, enfileirou finalizações e bateu rivais que pareciam impossíveis de ser batidos, como o gigante Bob Sapp.

Em 2001, venceu Heath Herring para se tornar campeão do Pride no peso pesado. Em 2003, perdeu o título para o poderoso Fedor Emelianenko. Foram três combates no russo, durante a carreira, com duas vitórias e um no contest, na segunda luta, por conta de uma cabeçada involuntária. Ainda no Pride, venceu Fabrício Werdum, Mirko Cro Cop e Josh Barnett.

A ida ao UFC aconteceu em 2007. Na estreia, venceu o velho conhecido Heath Herring. Na luta seguinte, tornou-se campeão interino dos pesados, com um triunfo por finalização sobre Tim Sylvia. Na luta seguinte, perdeu para Frank Mir, no primeiro nocaute que tomou em sua carreira. Mas se recuperou com um épico contra Randy Couture, vencido por pontos.

A partir daí, uma gangorra de resultados começou. O ponto alto do fim da carreira foi a presença no UFC Rio 1, em 2011. Vindo de cirurgias nos quadris e joelho, que o deixaram literalmente sem andar, ele levantou a torcida e nocauteou Brendan Schaub ainda no primeiro round. Mas foi pouco para manter seu nome em alta. Na luta seguinte, perdeu para Frank Mir – teve o braço fraturado na finalização – e Dana White e o UFC passaram a tratar o baiano como um lutador que já poderia pendurar as luvas. Foi preciso que ele sofresse mais três derrotas, sendo a última por pontos, contra Stefan Struve, no Rio, para Minotauro enfim se despedir.

Minotauro tem um legado nas lutas que, com sua nova função no UFC, segue em construção. O baiano não investiu só nas lutas, mas, como empresário, fundou com o irmão sua academia, a Team Nogueira, que virou franquia internacional. Ele também realiza eventos de MMA, lidera com Minotouro um time com cerca de 60 profissionais e dirige um projeto social no Rio.

Pedro Ivo Almeida / UOL
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