NOVAMENTE: Julgamento do caso Sara Freitas é adiado após decisão da Justiça
O júri popular dos três acusados pelo homicídio da cantora gospel Sara Freitas foi novamente adiado. Uma determinação judicial remarcou para o dia 24 de março o julgamento, que estava previsto para ocorrer no dia 3 do mesmo mês. A informação foi confirmada pela defesa da família da vítima.
Em novembro do ano passado, a sessão foi suspensa após a defesa dos réus abandonar o Fórum Desembargador Gerson Pereira dos Santos, em Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador. Os advogados alegaram que o local não oferecia condições adequadas de segurança para a realização do júri.
Segundo o advogado Rogério Matos, que representa a família da cantora, o adiamento foi uma decisão da Justiça e o julgamento segue mantido em Dias D’Ávila. Após a interrupção da sessão anterior, a defesa dos acusados informou que solicitariam a transferência do julgamento para o Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, por meio de um pedido de desaforamento.
O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia negou, à época, qualquer irregularidade que justificasse a suspensão do júri. De acordo com o órgão, o julgamento estava regularmente designado, com estrutura organizada e dentro das condições legais para sua realização. Inicialmente, a nova data anunciada havia sido 24 de fevereiro.
Para Rogério Matos, a decisão de adiar o julgamento foi acertada e antecipou um possível pedido da defesa dos réus. A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Justiça e aguarda posicionamento sobre o que motivou a nova remarcação.
O caso
Os réus são o ex-marido da cantora, Ederlan Santos Mariano, apontado como mandante do crime; Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como bispo Zadoque; e Victor Gabriel Oliveira Neves. Eles respondem por feminicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e associação criminosa.
Sara Freitas foi morta com mais de 20 golpes de faca e teve o corpo carbonizado. A cantora foi encontrada no dia 27 de outubro de 2023, às margens da BA-093, em Dias D’Ávila, após ficar desaparecida por quatro dias.
Segundo as investigações, Ederlan teria encomendado a morte da então companheira, com quem teve uma filha. Weslen Pablo é apontado como o autor das facadas, enquanto Victor Gabriel teria segurado a vítima durante a execução. Os três estão presos preventivamente e, conforme apurado no processo, teriam dividido R$ 2 mil pagos para a prática do crime.
Além deles, Gideão Duarte de Lima já foi condenado pela participação no caso. Ele atraiu a cantora até o local onde ocorreu a emboscada. O julgamento foi realizado separadamente e terminou com a condenação a 20 anos, 4 meses e 20 dias de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa.
A expectativa é que o júri dos três acusados não seja concluído no primeiro dia, considerando a complexidade do caso e o número de réus envolvidos.
