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18 July 2024

Pacientes reclamam de atendimento em UPA e diretoria atribui ao governo

Acompanhantes e pacientes promoveram um protesto na tarde desta quinta-feira (20), em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), de Roma, localizada no Largo de Roma, na Cidade Baixa em Salvador. Longa espera por atendimento e maus tratos de médicos, foram as principais queixas. A dona de casa, Erica Luiza Silva Santos, 32 anos, que acompanhava o pai, Ednilson Ezequiel dos Santos, 62 anos, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), disse que, após percorrer vários hospitais desde as 4 horas da manhã, chegou às 8 horas na UPA de Roma e até as 16h30 não havia sido atendido.



Revoltada, contou a reportagem do Bocão News, que o pai estava sentado no corredor sem atendimento, sem comer e não teve nenhuma atenção durante o dia inteiro.

Entre os pacientes revoltados com a situação da unidade de saúde estava uma ex-voluntária das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), que administra o Hospital São Jorge, onde está localizada a UPA. Renilda da Silva Cardoso, 55 anos, é hipertensa e reclamou do tratamento grosseiro do médico. “Eu fui voluntária de Irmã Dulce durante sete anos e estou decepcionada. Eu esperei desde 8 horas para ser atendida e o médico se negou a me dar uma receita e falou de jeito grosseiro que não daria. Estou aqui com crise hipertensiva e não tenho como tomar remédio sem receita, e ao mesmo tempo, ele não me medicou. Ou seja, são 16h30 e estou aqui com os mesmos sintomas de quando cheguei”, reclama.

A UPA de Roma utiliza sistema de triagem e sinaliza os graus de riscos dos pacientes a partir de pulseiras coloridas, obedecendo a padrões internacionais de atendimento a saúde. As pulseiras vermelhas são para pacientes em alto grau de risco; amarela, menor grau de risco e verde em situação melhor para aguardar o atendimento.



O diretor clínico da UPA de Roma, Fernando Dias, explicou a situação atribuindo o problema à um colapso na saúde pública, destacando a dificuldade do sistema estadual de regulação. Dias informou que, nesta quinta-feira (20), a unidade está com 25 pessoas além da capacidade de atendimento.



“Estamos priorizando os pacientes com quadro de maior risco, classificando pelo nosso sistema de triagem que obedece aos padrões internacionais. Por tanto, somos responsáveis pelas vidas que estão sendo atendidas. Por exemplo, não há capacidade de colocar duas pessoas em um leito – ou seja, nosso problema é de saúde pública, não há vagas e não podemos negligenciar vidas para tentar atender todos ao mesmo tempo, uma vez que nossos recursos não nos dão condições suficientes”, afirma Dias.



Ele citou que nesta semana, um hospital público na região do Subúrbio Ferroviário de Salvador, o qual ele não quis identificar, fechou por falta de água e a UPA de Roma terminou absorvendo a demanda, ficando sobrecarregada.

 

O diretor clínico ainda disse que existem dificuldades para transferir pacientes decorrentes das dificuldades enfrentadas pela Central Estadual de Regulação. “Nós dependemos de respostas da central, que depende de respostas de hospitais sobre vagas disponíveis para tratamento compatível a cada caso. A falta de vaga nesses casos acarreta na dificuldade de transferência desses pacientes”, explica.



O gestor disse que os pacientes não deixariam de ser atendidos e toda equipe está trabalhando com o máximo de esforço e recurso para atender a demanda.



A reportagem do Bocão News tentou entrar em contato com a assessoria de comunicação da secretaria de Saúde do Estado, mas não obteve êxito.



Fotos: Roberto Viana / Bocão News



Publicada no dia 20 de março de 2014, às 19h