Pernambucana usa as redes sociais para incentivar a aceitação do corpo

Como a depressão se tornou o mal do século, aceitação se tornou o bem do século

 

Falar de beleza e aceitação é sempre um assunto delicado, um terreno escorregadio, foi pensando nisso que  o site Click Notícias trouxe para você esse tema,  assunto que quebra vários paradigmas, barreiras, sociedade, raça e desigualdade social.

A escritora norte-americana Naomi Wolf disse, em 1991, no livro O mito da beleza, que a fixação cultural da magreza feminina não é uma obsessão sobre a beleza das mulheres, mas, sim, uma obsessão com a obediência feminina à sociedade. A dieta, o culto ao corpo e a ditadura da magreza, segundo Wolf, tornaram-se preocupações das mulheres ocidentais desde os anos 1920.

Em entrevista exclusiva ao Click Notícias, a pernambucana Maria Emília Araújo de  23 anos,  contou as experiências vividas em busca do corpo perfeito e, como conseguiu se amar quebrando os  “padrões  impostos pela sociedade“.

“Após anos mutilando meu próprio corpo com as diversas técnicas que eu usava para praticar bulimia, tentando de forma nada saudável entrar em um padrão estético que estava longe de ser o meu, houve um momento que tive de escolher entre continuar destruindo minha saúde até chegar no fim do poço ou viver. Decidi então, trilhar o caminho do autoconhecimento, autoaceitação e amor próprio. Não foi fácil, encarei de frente a realidade e me tornei meu próprio escudo onde cada comentário negativo sobre minha aparência não me invadia mais. Eu percebi que vivemos em um mundo louco, onde as pessoas não se importam de te ver doente, presa em um distúrbio alimentar degradante, apenas querem te ver magro, esbelto, e vestindo menos de 38. Não fazia sentido perder minha vida para tentar agradar os outros mais”, disse.

A nordestina como muitos buscou ajuda na internet, tentando entender.  “Busquei meditações, comecei seguir pessoas que na internet abordavam sobre temas relacionados à autoaceitação e que tivessem corpos diversos. Minha vida deu um giro de 360° a partir do momento que decidi quebrar os padrões estabelecidos, parei de tentar agradar quem se importa apenas com a minha aparência e percebi que tudo fica mais leve, flui melhor. Hoje, depois de quase 2 anos nesse processo de evolução e desconstrução, eu posso afirmar que foi a melhor escolha. Consigo vestir o que eu quiser, me sinto confortável sempre, não deixo de sair por me sentir ‘’feia’’ e além de me sentir motivada, motivo outras mulheres a se amarem também. Eu ‘’domei’’ a bulimia e espero profundamente que tantas outras pessoas que vivem o terror desse distúrbio alimentar ou de qualquer outro, possam domar também, e futuramente dizer que ‘’corpo bonito é aquele que tem uma pessoa feliz dentro dele’’ porque esse se tornou meu novo mantra e não pretendo abandoná-lo nunca. Padrões foram feitos para serem quebrados e eu me sinto feliz em fazer isso.

Aceitar o seu corpo significa amar, respeitar e acima de tudo,  enxergar a sua beleza, em todas as formas e tamanhos, sem buscar modificar sua aparência para se encaixar nos moldes impostos pela norma estética vigente. É olhar para o seu si e aceitar suas limitações e ser feliz com o corpo que tem, sem se odiar nem deixar de viver as coisas boas da vida só por não ser igual às atrizes ou modelos. É uma ação individual.

A aceitação não implica na inexistência de comparações, mas em parar de dar importância a elas. O padrão e o conceito de corpo ideal continuam existindo, porém sem afetar tanto a vida de quem se aceita.

Conheça o perfil do Instagram da nossa entrevistada:

 

 

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