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18 April 2021

Polícia registra 11ª vítima de agulhada nas ruas de Salvador

Mulher foi espetada nas nádegas dentro de um ônibus, no bairro do Comércio

Uma empregada doméstica procurou a 3ª Delegacia (Bonfim), nesta terça-feira (25), dizendo ter sido espetada por uma agulha dentro de um ônibus. A mulher contou aos investigadores que foi atacada quando entrava no coletivo, no bairro do Comércio, na segunda-feira (24). Ela recebeu uma guia de lesão e foi encaminhada para o Hospital Geral Couto Maia.

A Polícia Civil informou que a mulher estava no ônibus que fazia a linha Cabula VI/ Ondina quando foi espetada. Ela contou aos policiais que subiu as escadas do coletivo e se preparava para passar pela borboleta quando sentiu a picada. A mulher foi atingida nas nádegas e disse que não localizou o agressor por conta do tumulto formado dentro do ônibus.

Procurada, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) informou que ainda não registrou esse caso.

Outras vítimas

Esse foi o 11º caso registrado pela polícia. Outras dez pessoas procuraram as delegacias de Salvador para registrar os fatos.

Um motorista de ônibus foi o primeiro. No dia 18 de setembro, Edson dos Santos Melo, 40 anos, registrou queixa na 3ª Delegacia por ter sido vítima de um ataque semelhante, na Ribeira. O motorista diz que parou o veículo que dirigia em um ponto quando foi perfurado na região da face por um homem desconhecido. “O cara entrou pela frente e, antes de passar o torniquete, me atacou e desceu do ônibus”, contou. Ele está debilitado devido aos efeitos colaterais do coquetel de remédios. “Me deram medicamentos para hepatite, tétano e HIV. Vou tomar 28 dias”. O rodoviário está preocupado com o conteúdo da seringa. “Não tem como não se preocupar. Vai saber o que ele colocou ali dentro”, disse.

Um soldado do Exército denunciou o caso em seguida. Ele foi espetado no último dia 7, quando caminhava na Avenida Joana Angélica, por volta das 12h30. Ele tinha acabado de sair do trabalho, no Quartel da Mouraria. O soldado foi atacado no momento em que ele e o criminoso, que vinha em sentido contrário, se cruzaram. “Ele disse que sentiu uma fisgada no braço e se desesperou quando viu a blusa manchada de sangue na altura do ombro. Em seguida, ele viu o bandido correndo e segurando uma seringa”, contou a mãe do rapaz. O soldado foi levado por parentes ao Couto Maia instantes depois.

O terceiro caso registrado foi na terça (18), envolvendo a operadora de caixa Eliana dos Santos Pires, 41, também na Ribeira. Ela estava em um ponto de ônibus quando foi atacada. Encostada em um poste, ela sentiu uma picada nas nádegas e, quando olhou para trás, viu um homem negro se afastando do local sorrindo e com a arma do crime nas mãos. Segundo a vítima descreveu ao CORREIO, ele usava uma camisa listrada nas cores branca e azul. O ponto estava cheio de crianças da Vila Militar. Eu estava encostada no poste e senti a picada. Quando olhei para trás ele me mostrou a seringa e saiu dando risada”, relatou. “Senti as pernas dormentes e o local dolorido”.

Por fim, uma estudante de 12 anos foi atacada na manhã desta quarta-feira (19) e é a quarta vítima do “maníaco da seringa”. Ela foi espetada na localidade de Areal, no bairro da Ribeira. De acordo com a delegada Ana Virgínia Paim, titular da 3ª Delegacia (Bonfim), a estudante passava com uma colega na Rua Aníbal da Silva Garcia, quando um homem negro, de estatura baixa e de porte atlético, espetou seu braço esquerdo e em seguida fugiu correndo.

O quinto caso aconteceu no dia seguinte, na quinta-feira (20). Uma mulher contou que estava caminhando próximo de casa, na Liberdade, quando foi espetada. Ela é funcionária de uma loja da operadora Oi e não quis ser identificada. A mulher contou que tomou apenas a vacina antitetânica e não recebeu as medicações do coquetel antirretroviral. Segundo conta, o médico avaliou que seria desnecessário, já que, de acordo com a própria vítima, o homem não chegou a injetar o conteúdo da seringa.

O sexto caso aconteceu no mesmo dia. Uma mulher estava em um ponto de ônibus com a filha de 1 ano e a irmã quando foi atacada, no bairro de São Cristóvão. Ela contou aos policiais que foi espetada por um homem, no braço direito. A polícia aguarda o comparecimento dela no Departamento de Polícia Técnica (DPT) para fazer o retrato falado do suspeito.

Na sexta-feira (21) aconteceu o sétimo caso. Uma mulher foi picada enquanto caminhava pela Avenida Sete de Setembro. Ela disse aos policiais que um homem andava ao lado dela quando, de repente, a espetou no ombro e saiu correndo. No mesmo dia, uma adolescente de 15 anos disse que foi atacada quando saía de uma lan house próximo à Lagoa da Paixão, no bairro de Fazenda Coutos III. A oitava vítima não conseguiu identificar a pessoa que a atacou.

A Polícia Civil informou que outros dos casos foram registrados na 10ª Delegacia (Pau da Lima). Os detalhes das ocorrências não foram divulgados.

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