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28 January 2022

Presos denunciam sessão de tortura dentro de quartel do Exército

RIO – Presos durante uma operação do Exército no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, em 20 de agosto, denunciaram à Justiça e à Defensoria Pública que foram vítimas de uma sessão de tortura dentro de um quartel, na Zona Oeste. Na ocasião, sete homens e um adolescente de 16 anos foram detidos com armas e drogas pelos militares e levados para a 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar. Quatro deles afirmaram, em depoimentos prestados em três ocasiões diferentes, que foram espancados com pedaços de madeira e levaram chicotadas com fios elétricos dentro de uma “sala vermelha” no quartel. Todos os oito relataram ter sido agredidos por militares após a prisão. Os juízes que ouviram os relatos pediram informações sobre o caso ou determinaram investigações ao Exército.

Os depoimentos foram prestados nas audiências de custódia na Justiça comum e na Justiça Militar, em 23 de agosto, e durante uma visita de três defensores públicos ao presídio onde estão detidos, em 27 de setembro. Já o adolescente fez a denúncia quando foi apresentado na Vara da Infância e da Juventude, um dia após ser apreendido.

O jornal “Extra” teve acesso aos relatos. Os presos contam que foram levados do Complexo da Penha para a Vila Militar no início da manhã do dia 20. Alguns afirmam que, ainda no no jipe do Exército, levaram choques com armas teaser e jatos de spray de pimenta no rosto. Os quatro presos que afirmam ter sido espancados dentro do quartel dão a mesma versão: dizem ter sido chamados para uma “sala vermelha” — cuja porta tinha essa cor — onde encontraram quatro homens sem farda e com capuzes cobrindo o rosto.

Um dos presos afirma que, na sala, “foi feito um interrogatório violento”, em que os militares perguntavam sobre traficantes do Complexo da Penha. “Ao responder que não sabia, apanhava com madeiradas na nuca e chicotadas com fio elétrico nas costas”, relatou o preso. Outro detido, de 23 anos, afirmou ter sido “ameaçado de ser sufocado com um saco plástico” durante a sessão de tortura e disse que “chegaram a colocar um preservativo num cabo de vassoura para assustá-lo”.

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