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20 April 2021

Professora do Salesiano é enterrada sob revolta e aplausos

  • Clima de tristeza no momento da saída do caixão

Sob muita comoção, revolta e aplausos, o corpo da professora Andréa Borges Aspolpho, de 43 anos, foi enterrado, na tarde deste domingo, 4, no Cemitério Campo Santo, no bairro da Federação.

Andréa foi morta com um tiro no pescoço, por volta das 8h da manhã deste domingo, dentro do carro dela, um GM Celta, na rua Carlos Chenaud, na Vila Laura. O filho dela, de 5 anos, estava no banco traseiro e não ficou ferido.

Segundo a titular da 4ª Delegacia de Homicídios da Região Metropolitana (4ª DH-RMS), Maria Tereza dos Santos, testemunhas disseram que Andréa foi abordada por dois homens que chegaram andando. Ela retornava da delicatessen Panilha e teria reagido à tentativa de assalto, despertando a ira de um dos criminosos, que atirou. A dupla fugiu sem levar nada.

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Professora de matemática dos colégios Salesiano e Estadual Brigadeiro Eduardo Gomes, Andréa era bastante querida e admirada por colegas e alunos. 

"Excelente  professora. Com certeza, ela amava o que fazia e nos ensinou a gostar de matemática", lamentava, aos prantos, Wallece Lima, 17, aluna do colégio estadual.

"É revoltante  ouvir os governantes dizerem que, depois da greve [da PM], o clima da cidade voltou ao normal. Esse é o clima normal, onde uma mãe é morta às 8h de domingo, ao comprar pão", desabafa Jussara Melo, professora do Eduardo Borges.

"É um momento de dor, indignação e vergonha. Ela estava com a gente há um ano e nos conquistou pelo jeito carinhoso. Tinha um olhar claro e um sorriso ligeiro", lembra o padre Eliano Queiroz, diretor do Salesiano.

"Era uma pessoa excelente, querida, um exemplo de profissional e de família. Só podemos lamentar e acreditar que seremos as próximas vítimas, ela estava próximo de casa, onde achamos que estamos protegidos", lamenta a professora Undiara Souza.

Alunos

Alunos das duas escolas compareceram ao cemitério para dar o último adeus à professora, que era considerada por eles rígida e ao mesmo tempo doce.

"Ela era maravilhosa, mas não gostava de brincadeiras na sala. Era um pouco rígida, mas maravilhosa", relembra, sem se identificar, uma ex-aluna de Andréa. 

O marido de Andréa, Toninho Araújo, também é professor do Salesiano

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