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23 July 2021

Profissionais do sexo do Centro histórico disputa clientes a tapa

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As mulheres que andam na Ladeira da Montanha não prestam. Lá é muito barato e ainda tem a questão da droga. Aqui, não faço programa se eu não ficar com, pelo menos, R$ 30″, afirmou uma mulher de 35 anos que se prostitui na Praça da Sé.

A fala dela reflete a forma como as prostitutas da Montanha passaram a ser vistas com o tempo, inclusive por outras garotas de programa. As mulheres daquele lugar são associadas a drogas e a programas baratos.

Além disso, há rivalidade entre as profissionais do sexo da Montanha e as que trabalham em outros pontos do Centro, a exemplo do  Bar Damasco – tradicional ponto de prostituição na Rua da Conceição da Praia – e da Praça da Sé.

“Não gosto da Ladeira da Montanha. As mulheres daqui não vão para lá e as de lá não vêm para este bar. Se uma for para o ponto da outra, tem briga. Recentemente, duas saíram no tapa. Foi copo voando para tudo quanto é lado”, afirmou uma prostituta de 34 anos.

O motivo da briga, segundo ela, foi a clientela. Uma achou que a outra estava tentando tomar o ponto. “Rapaz, deixa isso quieto. Aqui eu trabalho, ganho o meu. Não tenho necessidade de ir para lá”, disse a mulher. No Damasco, ela cobra R$ 70 por programa, sendo R$ 20 para o aluguel do quarto.

“O pessoal vê a Ladeira da Montanha como algo ruim.  Diferentemente das meninas da Montanha, as que trabalham comigo querem dinheiro, não usam drogas”, disse Kátia, 31. Ela é proprietária do bar e restaurante Casa das Primas, onde aluga quartos para moças receberem clientes.

O imóvel onde funcionava o bar e restaurante Casa das Primas, na Ladeira da Conceição da Praia, foi uma das estruturas demolidas pela prefeitura na região do Comércio, em maio.

O estabelecimento funcionava lá há quatro anos e, desde 29 de maio, se transferiu para uma casa na Rua do Sodré, no Largo Dois de Julho. Alguns moradores fizeram um abaixo-assinado para tirar Kátia e as meninas do bairro.

“Isso aqui é um bar. A diferença é que eu alugo meus quartos. Não tenho vínculo com ninguém. Não forço ninguém a fazer nada. A casa está aqui, a mulher fica se quiser”, afirmou Kátia, 31, a proprietária.

Profissão

Uma das jovens começou a trabalhar na Casa das Primas como garçonete há três anos, mas preferiu mudar de função. “Um dia, chegou cliente e só tinha eu de menina na casa. Fui saber como era o esquema. Gostei e, no dia seguinte, não voltei mais [para a antiga função]”, conta a mulher de 26 anos. Ela tem namorado e uma filha de 10 anos.

Meses depois, largou a profissão por motivos pessoais. Há cerca de um ano, deixou o emprego de camareira com carteira assinada em um luxuoso motel para voltar a trabalhar na Casa das Primas. “Aqui dá mais dinheiro, tenho meus clientes certos. Gosto. Não sofro. Não saio com todo tipo de pessoa”, disse. Ela cobra R$ 70 pelo programa e já foi até a casamento de cliente.

Outra moça, de 20 anos, está na Casa das Primas há seis meses, mas frequenta outros lugares. “O pai dos meus filhos sumiu e minha mãe não me aceitava com dois filhos em casa, sem trabalhar”. Ela é maquiadora, manicure e depiladora, mas diz não ganhar o suficiente e, por isso, faz programa desde os 17 anos.

“Não é uma vida fácil. A gente não está aqui porque quer. Muitas têm filho e sustentam a casa. Tenho cinco filhos e comecei após me separar do meu marido. Faz dois anos que estou nessa vida. Penso em sair”, revela uma prostituta da Praça da Sé, de 35 anos.

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