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28 October 2021
Árvore de Cacau (Foto: Reprodução)

Rebaixamento da Ceplac causa revolta setores ligados a produção de cacau

Após ser amplamente criticado por servidores e algumas personalidades do meio político, como a senadora Lídice da Mata e o ministro Jacques Wagner, agora a sociedade civil vem demonstrando insatisfação após a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, assinar o decreto que transforma a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) em um departamento.

A decisão foi publicada na edição da última sexta-feira (1º/4) no Diário Oficial da União (DOU) e, desde então, caucauicultores e políticos tentam reverter a decisão.

Segundo um dos coordenadores do movimento ‘Somos todos cacau’, integrado por produtores de cacau do Brasil, Ruy Souza, os integrantes do movimento estiveram há 3 meses em Brasília, onde foram informados da modificação.

“Estivemos nos ministérios da Indústria e Agricultura, onde fomos informados de que haveria uma mudança na Ceplac, mas não sabíamos pra que nível seria modificado”, explicou.

Ainda segundo Ruy, ao tomar conhecimento do rebaixamento do órgão, o movimento procurou alguns deputados federais da bancada do atual governo para tentar reverter a situação.

“Procuramos diversos deputados, mas, ou eles não quiseram saber sobre o assunto ou não tinham respeito do executivo para reverter esta situação”, desabafou.

Confira, na íntegra, o posicionamento do movimento Somos Todos Cacau sobre o rebaixamento da Ceplac

Confira, na íntegra, o posicionamento do movimento Somos Todos Cacau sobre o rebaixamento da Ceplac

De acordo com Ruy, o movimento vem, a algum tempo, buscando agregar a região cacaueira pra mostrar o abandono pelo qual a área esta passando.

“Do jeito que esta não interessa aos produtores. Queríamos a modernização da Ceplac, não o rebaixamento. Queríamos que fomentassem a pesquisa, que ampliassem o contato com universidades, com a Embrapa e outros centros no mundo todo”, comentou o coordenador.

“A Ceplac era a única que vinha dando assistência ao pequeno agricultor. O governo já acabou com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e agora faz isso [rebaixamento da Ceplac] de maneira autoritária”, expôs.

Ainda de acordo com Ruy, essa assistência é fundamental para fortalecer a produção cacaueira no estado.

“O governo federal passado prometeu o PAC cacau e até hoje ainda não vimos nada. Não queremos mais conversa. Estamos perdendo muitos frutos porque não há investimento e pesquisa para melhorar a produção. Queremos produzir um cacau que seja resistente ao sol e a essa doenças”, pontuou.

Em nota oficial, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) disse estar “surpreendida pela decisão da ministra”.

“A cacauicultura vive uma franca retomada de crescimento de produção, abastecendo não só o mercado interno, como iniciando o processo de exportação. A Faeb acredita que ainda é possível abrir um diálogo para uma melhor compreensão ou até mesmo uma avaliação de novos rumos que busquem encontrar o caminho certo para que a Ceplac cumpra seu papel junto aos produtores de cacau do país”.

O documento diz, ainda, que uma decisão como esta deveria passar por uma análise criteriosa junto com a categoria.

Por Ricardo Belens / Aratu Online

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