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3 July 2026

Rodrigo Maia vence Rosso no 2º turno e é eleito presidente da Câmara

Apesar da preferência de Temer pelo candidato derrotado, o resultado da eleição desta quarta-feira não chega a desagradar o Planalto. Para o governo, o mais importante era evitar que o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) chegasse ao segundo turno da disputa.

Ex-ministro da Saúde de Dilma Rousseff, Marcelo Castro era o preferido do Partido dos Trabalhadores para ser o sucessor de Cunha no comando da Câmara, chegando a receber o apoio do presidente nacional da legenda, Rui Falcão, e forçando a petista Maria do Rosário (RS) a retirar sua candidatura horas antes do início do pleito.

A votação

Inicialmente prevista para começar às 16h, a eleição do novo presidente da Câmara foi iniciada somente às 17h30, sendo que o quórum mínimo de 257 deputados só foi alcançado por volta das 18h25.

Ao dar início à sessão, o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), fez um breve discurso e afirmou que deixaria o cargo “sem mágoas e rancores e com a consciência limpa e tranquila”. Maranhão encerrou sua breve fala com o curioso cumprimento de “obrigado e desculpe”.

Gustavo Lima/Câmara dos Deputados – 13.7.16

“Obrigado e desculpe”: Waldir Maranhão deixa a presidência da Câmara nesta quarta-feira (13)

Ao todo, 18 deputados se candidataram para assumir a presidência da Casa, porém quatro deles decidiram retirar o registro: o primeiro-secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP), a deputada Maria do Rosário (PT-RS) e os deputados Fausto Pinato (PP-SP) e Heráclito Fortes (PSB-PI).

Cada candidato teve 10 minutos para fazer um discurso no Plenário, o que fez com que a votação se desse somente após cerca de duas horas e meia de pronunciamentos.

Foram registrados 494 votos no primeiro turno da votação, sendo os três primeiros Rodrigo Maia (120), Rogério Rosso (106) e Marcelo Castro (70).

Maia havia sido justamente o primeiro a discursar nesta quarta-feira, por volta das 18h40, quando exaltou a atuação de Michel Temer quando presidente da Câmara e se disse “pronto para navegar por essa tormenta, que passará”.

“O papel do presidente é buscar consenso, mas quando isso não é possível cabe ao presidente usar a chave da democracia”, disse Maia.

Eduardo Cunha

Temer, Agripino Maia e Aécio: senadores apoiaram Rodrigo Maia; presidente preferia Rosso
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo – 13.7.16

Temer, Agripino Maia e Aécio: senadores apoiaram Rodrigo Maia; presidente preferia Rosso

A eleição para a presidência da Câmara ocorre seis dias após o então presidente da Casa, Eduardo Cunha, renunciar ao cargo.

Afastado de suas funções como deputado federal desde maio por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha enfrenta um processo que pede a cassação definitiva de seu mandato. O peemedebista é acusado de quebra de decoro parlamentar por ter mentido em depoimento à extinta CPI da Petrobras.

Durante esse período em que Cunha esteve impedido de frequentar a Câmara dos Deputados, a presidência da Casa esteve sob a batuta de Waldir Maranhão (PP-MA). O deputado, no entanto, não foi capaz de se impor perante os colegas e se isolou de vez no episódio em que decidiu anular a votação que aprovou a admissibilidade do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Essa decisão foi revogada menos de 24 horas depois.

*Com informações da Agência Câmara

Votos para presidente da Câmara foram registrados em cabines instaladas no plenário
Gustavo Lima/Câmara dos Deputados – 13.7.16

Votos para presidente da Câmara foram registrados em cabines instaladas no plenário